AN√ĀLISE DE FILMES

  • 13 Reasons Why foi lan√ßado no dia 31 de mar√ßo pela Netflix e est√° sendo um grande sucesso mundial. Um tapa na cara da sociedade que finge n√£o perceber assuntos que est√£o expl√≠citos e que causam um grande estrago na vida das pessoas: bullyng e cyberbullying, machismo, sexualiza√ß√£o das mulheres, ass√©dio sexual e por fim, suic√≠dio. A s√©rie √© sobre a vida de uma adolescente comum dos Estados Unidos, Hannah, que √© vitima de in√ļmeras situa√ß√Ķes comuns aos adolescentes, e esse √© o problema, tudo o que ela passa, a maioria dos adolescentes passam e parece que ningu√©m acha isso estranho, horr√≠vel ou perigoso. Depois de muito sofrimento, falta de comunica√ß√£o, car√™ncia afetiva, dramatiza√ß√£o e a jun√ß√£o de muitas decep√ß√Ķes, Hannah cometeu suic√≠dio. Em 7 fitas cassete ela relata os eventos e suas percep√ß√Ķes de cada coisa que aconteceu, dedicando cada lado das fitas a cada um de seus colegas que lhes deram 13 motivos para n√£o querer mais viver. A grande sacada da s√©rie √© nos fazer pensar se em algum momento fizemos alguma coisa para algu√©m que poderia nos tornar um ‚Äúpor que‚ÄĚ. E o pior: para a grande maioria a resposta √© sim. Somos maus quando sentimos medo. E todos que prejudicaram Hannah estavam com medo de alguma coisa. Isso n√£o justifica, mas explica o motivo de Seres humanos agirem como agem. Se algu√©m se comporta de forma errada, procure seu medo. Clay Jensen ‚Äď medo da rejei√ß√£o da Hannah Justin Foley ‚Äď medo de ser fraco e perder regalias. N√£o respeita mulheres, pois nunca viu a m√£e ser respeitada. Jessica Davis ‚Äď medo de ser enganada Alex Standall ‚Äď medo de n√£o ser aceito pelo grupo, medo do pai. Tyler Down - medo de n√£o pertencer ao grupo, de ser invis√≠vel, vingativo Courtney Crimsen ‚Äď medo de ser quem √© e n√£o ser aceita Marcus Cooley ‚Äď medo de ser rejeitado Zach Dempsey ‚Äď medo de ser vulner√°vel Ryan Shaver ‚Äď medo de ningu√©m gostar do que ele gosta (poesias) Sheri Holland ‚Äď medo de levar bronca do pai Bryce Walker ‚Äď medo de n√£o ser importante Mr. Porter ‚Äď medo de prejudicar seu emprego e sua vida financeira H√° muito tempo estamos falando de temas como bullying e machismo, por√©m de leve, precisava de uma s√©rie assim para incomodar todo mundo e nos fazer falar sobre o assunto. Seja por identifica√ß√£o com as personagens e assim perceber que podemos influenciar de forma inimagin√°vel a vida dos outros. Ou para ter coragem de denunciar e desabafar m√°goas vividas. Hannah sofria de depress√£o? N√£o. Ela viveu uma s√©rie de situa√ß√Ķes que a levaram ao suic√≠dio, muito mais para acabar com o sofrimento do que com a vida. Assim como a maioria dos suic√≠dios que s√£o express√Ķes simb√≥licas. Se Hannah tivesse sobrevivido certamente viveria uma vida feliz ao lado de seu namorado Clay e teria mais amigos atentos a ela. Hannah n√£o tinha nenhum motivo cl√°ssico para sofrer bullyng, mas mesmo assim foi v√≠tima. O que nos faz perceber que devemos prestar mais aten√ß√£o nos sentimentos das pessoas, pois nem todos interpretam e elaboram acontecimentos de forma f√°cil. O que aconteceu com Hannah √© que ela estava triste com o rumo que a sua vida estava levando, por√©m n√£o conseguiu correr atr√°s de seu objetivo principal: namorar o Clay. Isso fica claro em uma das cenas onde ela confessa que ao lado dele vislumbrava um futuro feliz. O principal problema √© que ela era sens√≠vel e tinha s√©rios problemas de comunica√ß√£o. Fica claro que muitas situa√ß√Ķes poderiam ter sido resolvidas com uma conversa esclarecedora ou uma atitude mais agressiva frente √† vida. E algumas situa√ß√Ķes eram t√£o simples de serem resolvidas como a vivida com Tyler Down: ele estava do lado de fora da janela tirando fotos, era s√≥ fechar as cortinas e mant√™-las fechadas quando estivesse fazendo coisas intimas. Mas ela adotou uma postura de vitima e tudo acabou dando mal. E quem tem postura submissa acaba n√£o resolvendo problemas. A culpa nunca √© da vitima em nenhuma hip√≥tese, mas a vitima pode fazer algumas coisas para se proteger ou para colocar limites nas pessoas, mas isso n√£o aconteceu. Atualmente, no mundo, mais de 800 mil pessoas cometem suic√≠dio a cada ano, a cada 40 segundos uma pessoa se mata, por dia, no Brasil, mais de 30 pessoas se matam a cada dia. S√£o os dados da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS). O suic√≠dio √© uma das formas mais comuns de morrer. O que muitas pessoas n√£o sabem, √© que na maioria das vezes em que as pessoas morrem por suic√≠dio elas n√£o querem verdadeiramente morrer, querem ajuda, aten√ß√£o, amor, querem que algu√©m as salve. A falta de consci√™ncia sobre os fatos, a falta de assertividade e a passividade s√£o os reais motivos que levam algu√©m ao suic√≠dio. Por outro lado, a falta de empatia e de interesse na vida dos outros tamb√©m contribuem. Tudo poderia melhorar se as pessoas fizessem terapia, conhecessem seus medos e suas sombras, desenvolvessem consci√™ncia, e valorizassem mais a profiss√£o dos psic√≥logos.

  • Um ano depois da aventura que viveu com Marlin e Nemo, Dory come√ßa a ter sonhos fragmentados e¬†flashbacks¬†de sua vida, desde a inf√Ęncia com seus pais. O gatilho para essas mem√≥rias voltarem, foi a palestra do Sr. Ray sobre a migra√ß√£o, em que animais marinhos usam o instinto de voltar para casa. A partir disso Dory tem uma s√ļbita vontade de encontrar seus pais, lembrando apenas vagamente que viviam na "Jewel of Morro Bay, California‚ÄĚ. Os tr√™s partem novamente para uma aventura em busca dos pais da Dory e come√ßamos a perceber a sequencia de acontecimentos, bons e ruins que s√£o a raz√£o pela qual tudo d√° certo. ‚ÄúTudo o que nos acontece √© o melhor que poderia nos acontecer‚ÄĚ. Acreditando nisso, os mais espiritualizados, sentem uma f√© inabal√°vel de que h√° um prop√≥sito para a vida de cada um de n√≥s, e que tudo o que desejarmos verdadeiramente, acontecer√°. Jung descreve isso com o conceito de sincronicidade: acontecimentos que se relacionam n√£o por rela√ß√£o causal e sim por rela√ß√£o de significado. √Č a experi√™ncia de ocorrerem eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa. A hist√≥ria segue com v√°rios acontecimentos ruins, mas que foram necess√°rios para que ela chegasse ao seu objetivo. Assim como acontece na nossa vida, coisas ruins tem uma raz√£o para acontecer. Dory vive no momento presente, e isso √© uma grande li√ß√£o da espiritualidade. Ela vive de acordo com o fluxo da vida, sem muito planejamento ou preocupa√ß√£o. Diferente da maioria das pessoas que vivem ansiosas com medo do futuro, ou depressivas, lamentando o passado. Fazendo escolhas a partir do medo e tendo resultados frustrantes. Dory vive confiando que conseguir√° alcan√ßar seus objetivos. N√≥s usamos experi√™ncias do passado para avaliar e decidir nossas escolhas. A Dory n√£o se lembra do passado, ent√£o todas suas escolhas s√£o baseadas em sua intui√ß√£o. A inten√ß√£o permite a sincronicidade acontecer, em qualquer assunto. √Äs vezes pensamos em algu√©m e encontramos essa pessoa sem sair da nossa rotina. O estado interno determina a qualidade da sincronicidade, se voc√™ est√° positivo, com pensamentos e atitudes positivas, coisas positivas acontecer√£o, mas se seus pensamentos est√£o negativos, sempre esperando o pior, coisas ruins acontecer√£o. Ent√£o a li√ß√£o mais valiosa que a Dory nos passa √© que quando vivemos de uma forma positiva, com uma inten√ß√£o bem clara, agindo atrav√©s da nossa intui√ß√£o e n√£o do medo, a sincronicidade acontece e somos levados a encontrar o que desejamos. Outros personagens que nos ensinam sobre espiritualidade s√£o: Hank, um polvo mal-humorado que ap√≥s viver um trauma, prefere se isolar. Essa atitudes √© muito comum em pessoas sens√≠veis, que depois de uma decep√ß√£o tornam-se dif√≠ceis de conviver e preferem se isolar, pois sentem medo de serem feridas novamente. Hank deseja a tag de Dory, para ser enviado √† um aqu√°rio em Cleveland e viver sozinho para sempre. Com isso percebemos que n√≥s n√£o sabemos o que √© o melhor para a gente e que se decidirmos a partir do medo, as chances de sofrimento aumentam. E¬†Bailey, uma baleia beluga que n√£o tem confian√ßa em si mesmo e acredita ter perdido o sua capacidade de ecolocaliza√ß√£o. Precisamos deixar a vida acontecer sem tomarmos decis√Ķes baseadas no medo. Acreditar que todos n√≥s temos um plano divino e que vivemos o que precisamos viver. O QUE EU APENDI COM A DORY: A vida √© muito melhor quando temos atitudes positivas N√£o levar nada para o lado pessoal O que me acontece √© o melhor que poderia acontecer Tudo o que desejamos verdadeiramente se realiza Amigos s√£o a fam√≠lia que escolhemos √Č sempre bom ser simp√°tica com todas as pessoas

  • CONT√ČM SPOILER!!! Quanto mais esperado √© um filme, maiores s√£o as chances de ser um fracasso... Assim foi com Alice atrav√©s do espelho. Um filme com um elenco brilhante, um produtor como Tim Burton, efeitos especiais muito bons, mas um enredo fraco. Nos primeiros minutos de filme j√° ficamos na d√ļvida se uma continua√ß√£o era mesmo necess√°ria. Tanto o primeiro filme quanto o segundo, t√™m como tema principal a coragem. Alice aceita grandes desafios e ela conquista tudo que se prop√Ķe a fazer. Uma das coisa boas do filme, al√©m dos efeitos especiais. Em ‚ÄúAlice atrav√©s do espelho‚ÄĚ inevitavelmente percebemos a semelhan√ßa com a atual situa√ß√£o do Brasil. O Pa√≠s das Maravilhas √© o Brasil, um lugar onde todos querem ir, em busca de divers√£o, aventura, lugares lindos e insanidade. Tudo parece maravilhoso at√© que percebemos que as pessoas que vivem l√° sempre esperam que um her√≥i as salve de seus problemas, porque elas mesmas n√£o fazem nada pra melhorar. Alice est√° de volta a Londres depois de uma longa viagem pela China. Agora ela √© capit√£ do navio de seu pai, seguiu os passos dele e realizou seu sonho. Mas ao chegar em casa se deparou com in√ļmeros problemas. Tantos que resolveu se refugiar novamente no Pa√≠s das Maravilhas e l√° foi ela seguir a borboleta azul. Alice sai de seus problemas e come√ßa a querer resolver os problemas dos outros. O Chapeleiro Maluco est√° terrivelmente deprimido. Ele acredita que sua fam√≠lia ainda est√° viva, mas ao inv√©s de ir procur√°-los, ele prefere ficar em casa deprimido. Acreditando que encontrar a fam√≠lia do Chapeleiro √© a √ļnica forma de ele voltar a ser feliz, Alice sai em uma miss√£o para voltar no tempo e salvar a fam√≠lia de seu amigo. Ent√£o ela chega ao pal√°cio do Tempo e rouba a Chronosfera, um objeto que alimenta o tempo de todo o Pa√≠s das Maravilhas e que sem esse objeto, no lugar certo, tudo corre terr√≠vel perigo de ser destru√≠do. Mesmo sabendo do perigo que causar√° a todas as pessoas ela rouba. O roubo √© justificado por ser a √ļnica forma de viajar no tempo e salvar a vida da fam√≠lia de seu amigo. Alguma semelhan√ßa com o governo brasileiro? O problema do Brasil √© a cultura. S√£o as cren√ßas e a mentalidade de cada uma das pessoas que vivem no Pa√≠s. √Č a forma com que os brasileiros escolhem viver a pr√≥pria vida e construir uma sociedade. O problema √© tudo aquilo que aceitamos e chamamos de ‚Äújeitinho brasileiro‚ÄĚ mesmo sabendo que √© errado. O problema √© agir sempre como a Alice, pensar nos seus ao inv√©s de pensar no todo. Nos pa√≠ses mais desenvolvidos o senso de justi√ßa e responsabilidade √© mais importante do que qualquer indiv√≠duo. H√° uma consci√™ncia social onde o todo √© mais importante do que o bem-estar de um s√≥. √Č por isso que pa√≠ses assim s√£o desenvolvidos. Alice √© solid√°ria, se sacrifica e faz de tudo por seus amigos e, por isso, n√£o parece ego√≠sta, mas ela se mostrou extremamente ego√≠sta quando priorizou seu amigo Chapeleiro e n√£o se importou com a destrui√ß√£o do Pa√≠s das Maravilhas. Assim como todos os¬†pol√≠ticos corruptos. Voc√™ j√° parou para pensar por que as pessoas s√£o corruptas? Provavelmente quase todas justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: ‚ÄúEu fa√ßo isso pela minha fam√≠lia‚ÄĚ. Todos querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem nas melhores escolas e querem viver com mais seguran√ßa, conforto, luxo. Quando um brasileiro prejudica outro cidad√£o para beneficiar sua fam√≠lia, ele n√£o se sente ego√≠sta. Ele n√£o percebe que √© esse comportamento que destr√≥i o pa√≠s. Para uma na√ß√£o prosperar √© preciso abrir m√£o dos pr√≥prios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo. Por isso que o Brasil continuar√° tendo os mesmos problemas. A democracia n√£o resolveu o problema. Uma moeda forte n√£o resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza n√£o resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele est√° na mentalidade das pessoas. Em todas as ‚ÄúAlices‚ÄĚ que vivem por aqui. O ‚Äújeitinho brasileiro‚ÄĚ precisa morrer dentro de cada um. N√£o √© porque ningu√©m est√° vendo que se tornou certo algo que √© errado aos olhos de todos. A √ļnica forma de melhorar o pa√≠s √© se cada brasileiro decidir matar o ‚Äújeitinho brasileiro‚ÄĚ dentro de si mesmo. Ao contrario de outras revolu√ß√Ķes externas que fazem parte da hist√≥ria, essa revolu√ß√£o √© interna. Precisa ser a vontade de cada um se tornar uma pessoa melhor e mais consciente. √Č preciso definir novas perspectivas, novos padr√Ķes e expectativas para n√≥s e para os outros. As pessoas que te cercam precisam ser responsabilizadas pelas pr√≥prias a√ß√Ķes. Sim, seus filhos, amigos e parentes. Se uma pessoa sempre est√° atrasada ent√£o deixe que perca o compromisso, deixe que v√° a p√© e que resolva seus pr√≥prios problemas. Se uma pessoa sem dinheiro n√£o quer trabalhar, deixe que passe necessidade at√© que perceba que precisa se esfor√ßar mais. Se uma pessoa sempre faz d√≠vidas, deixe se desesperar para aprender a administrar seus bens. Parem de ajudar as pessoas a serem fracassadas. Parem de ajudar as pessoas a serem fracassadas. Parem de resolver os problemas das pessoas. Cada um √© respons√°vel pela pr√≥pria vida, pelas pr√≥prias escolhas e pelo pr√≥prio destino. Precisamos priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da nossa¬†fam√≠lia ou amigos.¬†Precisamos deixar que cada um lide com os seus pr√≥prios problemas, assim como n√£o devemos esperar que ningu√©m seja obrigado a lidar com os nossos. Essas s√£o escolhas que precisam ser feitas diariamente. At√© que essa revolu√ß√£o interna aconte√ßa. As pr√≥ximas gera√ß√Ķes n√£o podem mais repetir os mesmos erros. Enquanto os pais acobertarem pequenos erros de seus filhos, o pa√≠s n√£o vai melhorar.

  • Frida foi uma mulher muito interessante, e acima de tudo muito transparente. Deixou registrado em suas obras tudo o que sentia e o que vivia, n√£o tinha a pretens√£o de ser uma grande artista, queria apenas desabafar. Teve muitos motivos para ser deprimida, revoltada, mas foi salva pela arte. O que prova que a felicidade n√£o vem de fora. Ela via a beleza na trag√©dia. Tinha duas op√ß√Ķes, deprimir-se e fugir da dor, ou encarar o sofrimento a ponto dele se tornar seu aliado e fonte de inspira√ß√£o. E foi o que aconteceu, todo seu reconhecimento foi devido a uma vida de sofrimentos retratados em imagens. Quando crian√ßa, Frida contraiu Poliomielite, que deixou uma les√£o em sua perna esquerda e a levou a ficar manca. Mais tarde sofreu um grave acidente de √īnibus que deixou m√ļltiplas fraturas e marcas por toda sua vida. Ela precisou fazer in√ļmeras cirurgias e ficar paralisada na cama por um longo per√≠odo, foi a√≠ que come√ßou a pintar. Diziam que ela n√£o era muito bonita e tamb√©m tinha sequelas do acidente, ela poderia ter se escondido, acreditado que por conta disso n√£o se casaria, ningu√©m a amaria, mas transformou sua defici√™ncia em estilo e tornou-se √ļnica e sedutora. Ela n√£o se preocupava com a opini√£o das outras pessoas sobre ela, era livre para fazer o que quisesse e assim viveu. Esse foi o seu legado mais importante, fazer o melhor que pode com o que a vida oferece, sendo aut√™ntica. Se as pessoas vivessem mais livres seriam mais saud√°veis. Mesmo sendo uma mulher conectada com a ess√™ncia feminina, que transformava dor em arte, defici√™ncia em beleza, e amargura em cores. Ainda assim, com toda essa for√ßa de supera√ß√£o e transforma√ß√£o, Frida se escondia em um estere√≥tipo masculino. Buscava caracter√≠sticas masculinas quando estava em momentos cr√≠ticos, cortava seu cabelo, usava ternos, bebia e fumava, desenvolveu um mecanismo de defesa para lidar com a dor emocional que para ela deu certo. Se de um lado ela era essa mulher avassaladora, ex√≥tica e revolucion√°ria, de outro, era uma mulher submissa, vulner√°vel, sens√≠vel e apaixonada. Dizia que n√£o achava fidelidade muito importante, mas ficava extremamente magoada quando descobria as infidelidades do marido e o perdoava em todas as situa√ß√Ķes, at√© mesmo quando foi tra√≠da com pr√≥pria irm√£. Se a vida de Frida fosse f√°cil, sem trag√©dias e com um casamento est√°vel, provavelmente ela seria uma mulher comum com pequenas ambi√ß√Ķes, cheia de filhos e sem brilho. Foi a desgra√ßa que a fez ser quem foi, que deu a chance de deixar esse legado e ser reconhecida mundialmente. Seu jeito de lidar com as intemp√©ries que a vida lhe oferecia foi o que deu toda a beleza de sua hist√≥ria. Toda dor foi necess√°ria. Apesar de sua obra ser considerada surrealista, para ela, era a total realidade expressada em figuras de si mesma, n√£o se dedicou em divulgar sua arte, achava que apenas seu marido era artista e se escondia atr√°s dele, n√£o lutou pela sua identidade, apenas pintava e vivia. S√≥ depois de sua morte foi reconhecida.

  • Emocionante para quem consegue sentir empatia pela trag√©dia. Uma mo√ßa de 17 anos √© sequestrada e mantida em cativeiro por oito anos, nesse per√≠odo ela tem um filho com o sequestrador que a estupra regularmente. Chocante e infelizmente real. Apesar de n√£o constar que o filme √© baseado em fatos reais, fatos muito parecidos j√° foram noticiados pelo mundo todo. Abuso sexual atinge 1 em cada 10 mulheres no mundo. Dados reais, mas que infelizmente n√£o pensamos ou falamos muito a respeito. O filme √© comovente e nos faz pensar em como os Seres Humanos se comportam. Para que Jack n√£o percebesse o que acontecia, Joy criou um mundo paralelo para eles viverem, o quarto era todo o planeta e o que aparecia na televis√£o era de outro planeta ou fantasia. Eles brincavam, riam, faziam exerc√≠cios, estudavam e liam livros, tudo sem nunca sair do quarto. Jack teve uma inf√Ęncia saud√°vel e feliz enquanto estava no quarto porque n√£o tinha necessidade de nada, ele tinha o principal que toda crian√ßa precisa, o amor da m√£e dele. Depois que saiu do quarto ele desejava voltar para l√°, pois era o mundo que conhecia. N√£o brincava com os brinquedos novos e sentia falta da rotina com a m√£e. Para as crian√ßas a √ļnica coisa que importa √© o amor e como √© na inf√Ęncia o momento em que mais estamos conectados com a nossa ess√™ncia, para os adultos isso tamb√©m se aplica. Se tivermos nossas necessidades b√°sicas bem satisfeitas, precisamos apenas de amor. Todo o resto √© ilus√£o criada para consumirmos cada vez mais. N√≥s somos capazes de nos acostumar a absolutamente tudo. Somos seres sens√≠veis e indefesos, submissos e ing√™nuos, somos facilmente manipulados e enganados. Conseguimos perceber isso quando ouvimos discursos de grandes l√≠deres, nos emocionamos e somos convencidos pelas palavras e pelo tom de voz e n√£o pensamos se o que ouvimos √© a verdade ou se nos far√° bem. Por isso pol√≠ticos e pastores fazem aulas de orat√≥ria. O filme se divide em duas partes, dentro e fora do quarto, pris√£o e liberdade. Tudo o que Joy queria era sair do quarto e voltar para a fam√≠lia e quando isso acontece, ela n√£o se v√™ feliz, entra em depress√£o profunda e tenta suic√≠dio. Esse momento do filme representa as nossas fantasias de liberdade. Muitas vezes acreditamos que ao mudar de situa√ß√£o seremos mais felizes, ao sair de um casamento, da casa dos pais, de um emprego, ou qualquer situa√ß√£o em que nos sentimos presos, mas mudar de realidade n√£o √© garantia de felicidade. A fuga nem sempre √© o melhor que podemos fazer. Claro que em casos de pris√£o f√≠sica ou emocional, quando n√£o temos escolha, o melhor que podemos fazer √© tentar fugir. Mas na maioria das vezes, n√≥s mesmos nos colocamos em pris√Ķes. N√≥s escolhemos n√£o ser livres quando n√£o pensamos sobre nossas escolhas. A √ļnica liberdade que existe √© a consci√™ncia. Aprofundando um pouco mais, e levantando uma quest√£o pol√™mica, podemos pensar nos motivos pelos quais Joy n√£o tentava escapar a todo custo. Acredito que seja porque a maioria das pessoas tende a se conformar com a realidade e acreditar que algumas coisas s√£o imposs√≠veis. √Č o que vemos na vida das pessoas, muita gente acredita em coisas sem pensar a respeito. Um exemplo disso √© a quest√£o do Brasil, o Brasil est√° em crise, mas √© 100% dos brasileiros que ser√£o afetados pela crise? Muitas pessoas que perderam o emprego apostaram em realizar um sonho antigo e se tornaram √≥timos empreendedores, ganhando muito mais dinheiro do que em empregos comuns. Ent√£o a crise n√£o √© para todos, e tudo depende do quanto a pessoa est√° disposta a se dedicar para conseguir o que quer. O insucesso de algu√©m est√° mais relacionado com o medo e a pregui√ßa que uma pessoa sente do que com fatores externos.

  • O filme √© baseado na hist√≥ria de Joy Mangano, a mulher que criou a¬†Mop Miracle: esfreg√Ķes que n√£o sujam as m√£os e que podem ser lavados √† maquina, pr√°ticos e seguros. A partir de uma necessidade ela criou uma solu√ß√£o. Eu particularmente n√£o gosto dos filmes do diretor David O. Russell, e n√£o foi diferente no filme Joy. √Č uma hist√≥ria muito interessante, com muito potencial contada de uma forma ruim com atores que n√£o combinam com o papel. Joy √© uma mulher com mais de 30 anos, divorciada, tem dois filhos e trabalha como balconista na empresa Eastern Airlines. Quando crian√ßa era muito inteligente e criativa, percebia as necessidades e criava produtos, isso se perdeu ap√≥s o div√≥rcio dos pais e a ‚Äúaus√™ncia‚ÄĚ da m√£e. Dezessete anos depois ela se v√™ em uma vida dif√≠cil, pois toda a fam√≠lia depende emocionalmente dela. Em sua casa tamb√©m mora sua m√£e, sua av√≥, seu ex-marido e seu pai, al√©m de seus filhos. Seu pai √© um homem dif√≠cil que vive em em atrito com as pessoas.¬†Sua m√£e passa o dia todo deitada assistindo novelas como meio de fuga da realidade, deixando para Joy todo o trabalho da casa, al√©m de criar problemas para Joy resolver. Uma pessoa com personalidade dependente, que se vitimiza e espera que os outros resolvam seus problemas. Apenas sua av√≥ e sua melhor amiga, Jackie, a incentivam a correr atr√°s de seus sonhos e a se tornar uma mulher forte e bem sucedida. Seu pai come√ßa a namorar Trudy, uma vi√ļva rica com alguma experi√™ncia de neg√≥cios.¬†Joy cria modelos de um esfreg√£o auto-torcido, constr√≥i um prot√≥tipo com a ajuda dos funcion√°rios da loja de seu pai e convence Trudy a investir no produto. Depois de muitos desafios ela consegue realizar seu sonho. Joy sofreu com o div√≥rcio dos pais, o que acontece com muitas pessoas. Nesse momento ela tinha dois caminhos: tomar as r√©deas da fam√≠lia e de si mesma ou ficar triste e reclamar como a vida foi injusta e que "se os pais estivessem juntos ela seria melhor". Todos n√≥s passamos por dificuldades e temos essas duas escolhas: reclamar ou resolver. O grupo das pessoas que apenas reclamam est√° condenado ao fracasso. E o grupo das pessoas que resolvem problemas est√° destinado¬†ao sucesso. ¬†√Č simples. Joy acreditou na sua ideia e a defendeu, n√£o duvidou, n√£o desanimou e n√£o desistiu, isso fez com que ela alcan√ßasse o¬†sucesso. Uma passagem bem interessante no filme, uma das melhores partes, foi quando ela corta seu cabelo. Segundo os visagistas, o cabelo de uma mulher diz muito sobre ela e que os cabelos chanel deixam a mulher mais controladora e independente. Percebeu-se claramente um empoderamento depois que ela cortou os cabelos. O que podemos aprender com o filme: Voc√™ precisa ter um objetivo na sua vida. Voc√™ precisa acreditar completamente no potencial do seu produto. Nunca desista da sua ideia por mais dif√≠cil que seja realiz√°-la. N√£o tenha pregui√ßa. Nunca √© tarde para come√ßar. Aprenda tudo o que puder das etapas pelas quais seu produto precisar√° passar. Sua fam√≠lia pode ser sua pior inimiga. Nunca acredite em pessoas med√≠ocres. Acredite no que as pessoas bem sucedidas falam sobre voc√™. Voc√™ n√£o √© respons√°vel pelos problemas das pessoas da sua fam√≠lia. Lembre-se do que voc√™ falava que iria ser quando crescesse. As melhores ideias v√™m das necessidades. As vezes voc√™ precisa arriscar tudo o que tem, sair da zona de conforto para alcan√ßar o sucesso.    

  • O livro ‚ÄúO pequeno Pr√≠ncipe‚ÄĚ foi escrito em 1943 pelo franc√™s Antoine de Saint-Exup√©ry e ainda √© o livro franc√™s mais traduzido e vendido no mundo.¬†Trata-se de uma f√°bula, ou melhor, uma par√°bola que ensina aos adultos algumas verdades da vida. Disfar√ßado de livro infantil, o autor descreve atrav√©s de met√°foras alguns ensinamentos que s√≥ atrav√©s dos olhos de uma crian√ßa podemos relembrar dessa nossa sabedoria. √Č uma hist√≥ria riqu√≠ssima e cheia de ensinamentos que se aplicados, tornariam nossos relacionamentos mais f√°ceis. O livro come√ßa com o autor relatando sua experi√™ncia infantil, quando ao desenhar uma jib√≥ia que engoliu um elefante todos os adultos viam um chap√©u.¬†‚ÄúAs pessoas grandes t√™m sempre necessidade de explica√ß√Ķes‚Ķ‚ÄĚAdultos realmente se negam a enxergar as verdades da vida, precisam de explica√ß√Ķes racionais para se convencer de alguma coisa, quando na verdade somos muito mais seres emocionais do que racionais e fingimos que n√£o. O autor continua relatando sua hist√≥ria at√© a fase adulta, quando se perde no deserto e conhece o Principezinho, ou podemos dizer que ele entra em contato com a sua crian√ßa interior. Atrav√©s de longas conversas durante o dia, o pr√≠ncipe vai passando ao autor sua ess√™ncia atrav√©s de questionamentos, relatando sua rotina em seu pequeno planeta.¬†Uma grande preocupa√ß√£o do pr√≠ncipe s√£o os Baob√°s, uma planta que se n√£o for arrancada assim que aparece pode tomar conta e destruir seu planeta. ‚ÄúAs sementes ruins de Baob√°s s√£o pequenas antes de crescer, √© preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido‚ÄĚ. Podemos aprender com essa li√ß√£o a como combater o mal que se aproxima de n√≥s, seja nossa sombra ou algu√©m pr√≥ximo. Todo mal antes de crescer tamb√©m √© pequeno e come√ßa aos poucos. Quando uma pessoa nos maltrata, geralmente ela come√ßa aos poucos e n√≥s permitimos que esse mal cres√ßa, assim como nossa raiva, tristeza e m√°goa. O relacionamento do pr√≠ncipe com sua flor √© conturbado e o deixa confuso, assim como muitos de nossos relacionamentos. Foi por isso que ele partiu de seu planeta. ‚ÄúN√£o soube compreender coisa alguma! Deveria t√™-la julgado pelos atos, n√£o pelas palavras.‚ÄĚ Diz isso quando descreve uma briga com a flor, √© o que fazemos em nossos relacionamentos, julgamos as pessoas pelo que elas falam, mas quem disse que elas sabem o que falam? Devemos julgar as pessoas pelos seus atos. Devemos julgar as pessoas? Sim. Essa hist√≥ria de n√£o julgar os outros √© s√≥ para Jesus, enquanto formos seres humanos estaremos julgando querendo ou n√£o, ent√£o vamos usar o equil√≠brio para isso tamb√©m. N√£o devemos julgar os outros sem olhar para nossos erros, pois de nada adianta, o que vemos fora est√° dentro, por isso nos identificamos. Devemos julgar se devemos manter as pessoas ao nosso lado, se elas est√£o nos acrescentando ou nos prejudicando e tamb√©m se podemos ajud√°-las. Como far√≠amos isso sem julgar? ‚Äú√Č preciso que eu suporte duas ou tr√™s larvas se quiser conhecer as borboletas.‚ÄĚ Podemos aplicar essa met√°fora em v√°rios pontos de nossa vida. Em rela√ß√£o a n√≥s mesmos, sobre nosso crescimento e amadurecimento, ou com os outros. At√© conhecermos bem uma pessoa, precisamos passar pela barreira social que alguns colocam, at√© conquistarmos sua confian√ßa e vermos as borboletas, talvez enfrentemos larvas. No encontro do pr√≠ncipe com o rei de outro planeta, pr√≥ximo ao seu, aprendeu algumas li√ß√Ķes: ‚Äú√Č preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade repousa sobre a raz√£o.‚ÄĚ Quando n√£o fazemos isso ficamos frustrados e quem cria essa situa√ß√£o? ‚ÄúTu julgar√°s a ti mesmo. √Č o mais dif√≠cil. √Č bem mais dif√≠cil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se conseguires julgar-te bem, eis o verdadeiro s√°bio.‚ÄĚ O pr√≠ncipe visitou mais alguns planetas, em um deles encontrou um b√™bado, ficou preocupado e perguntou porque ele bebia, ele respondeu:¬†‚ÄúEu bebo para esquecer que tenho vergonha de beber‚ÄĚ. Toda compuls√£o, ou v√≠cio, se d√° pelo mesmo motivo, vergonha de si mesmo, e a vergonha s√≥ aumenta. Ao inv√©s de ter disciplina para sermos quem gostar√≠amos de ser, fugimos de n√≥s atrav√©s dos v√≠cios. Em outro planeta conheceu um acendedor de lampi√Ķes. Que acendia e apagava seu lampi√£o, e sua explica√ß√£o para isso era que estava seguindo o regulamento. Mas o que ele mais gostava de fazer era dormir. Quantas pessoas vivem assim, trabalham em uma fun√ß√£o sem ter um prop√≥sito e quando podem s√≥ querem dormir. ‚ÄúAs estrelas s√£o todas iluminadas. N√£o ser√° para que cada um possa um dia encontrar a sua?‚ÄĚ Ao chegar √† Terra ele n√£o encontrou ningu√©m, ent√£o achou uma estrada e seguiu, chegou a um jardim que tinha muitas flores iguais a sua, ent√£o ficou triste e decepcionado pois antes se sentia rico por ter uma flor at√© que descobriu que ela n√£o era √ļnica, era comum. Ao inv√©s de ficarmos felizes e gratos com o que temos, sempre estamos pensando na falta, o que nos deixa infeliz. Mas √© uma escolha sentir gratid√£o por tudo que temos ou sentir a falta de tudo o que n√£o temos. ‚Äď ‚ÄúO que √© cativar?‚ÄĚ ‚Äď ‚ÄúUma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar la√ßos.‚ÄĚ ‚Äď Tu n√£o √©s apenas para mim sen√£o um garoto inteiramente igual a cem mil outros. E eu n√£o tenho necessidade de ti, e tu n√£o tens tamb√©m necessidade de mim. N√£o passo a teus olhos uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, n√≥s teremos necessidade um do outro. Ser√°s para mim √ļnico no mundo. E eu serei para ti √ļnica no mundo.‚ÄĚ Para mim, o di√°logo com a raposa √© a passagem mais linda do livro, tem tanto significado. Se as pessoas se cativassem umas as outras, ter√≠amos muito mais pessoas √ļnicas em nossa vida, e ela teria mais significado. ‚ÄúS√≥ se conhece bem as coisas que cativou. Os homens n√£o t√™m mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo pronto em lojas, mas n√£o existem lojas de amigos. Os homens n√£o t√™m mais amigos.‚ÄĚ Quando o pr√≠ncipe ia¬†embora, a raposa lhe contou um segredo: ‚ÄúS√≥ se v√™ bem com o cora√ß√£o. O essencial √© invis√≠vel aos olhos‚Ķ Tu te tornas eternamente respons√°vel por aquilo que cativas.‚Ä̬†Devemos levar esse ensinamento para a vida e repeti-lo todos os dias. Quando entendermos o que quer dizer, n√£o teremos mais motivos para sofrer. Depois de um tempo o pr√≠ncipe quis voltar ao seu planeta, mas deixou as lembran√ßas como presentes para seu amigo. ‚ÄúE quando te houveres consolado (a gente sempre se consola), tu te sentir√°s contente por me teres conhecido.‚Ä̬†Tantas pessoas que passam pela nossa vida, n√£o devemos sentir falta delas e sim lembrar tudo de bom que aprendemos com elas. E quando partiu para seu planeta ainda alertou ‚ÄúTu sofrer√°s, eu parecerei morto e n√£o ser√° verdade. √Č longe demais, eu n√£o posso carregar esse corpo, √© muito denso, mas ser√° como uma velha casca abandonada. Ser√° bonito, sabes?‚ÄĚ E com isso podemos ter uma ideia de morte, um dia abandonaremos uma casca e voltaremos ao nosso planeta.

  • Voc√™ j√° parou para pensar no que √© realmente o consumo? E se precisamos mesmo daquilo que compramos? N√≥s compramos por dois motivos, porque precisamos realmente de algo, ou para mostrar para os outros que temos algo. Quando compramos pelo segundo motivo, estamos buscando na verdade, reconhecimento, aceita√ß√£o, admira√ß√£o, amor. Queremos uma boa posi√ß√£o no grupo ao qual pertencemos, e como para a nossa sociedade vale mais o que temos do que o que somos, nos tornamos marionetes de grandes empresas e pessoas muito espertas, por√©m mal intencionadas. A ideia b√°sica √© tirar seu dinheiro sem voc√™ perceber. √Č mais ou menos assim: voc√™ compra uma coisa que n√£o quer, ou n√£o precisa, com o dinheiro que voc√™ n√£o tem, pra mostrar para pessoas que voc√™ n√£o gosta uma apar√™ncia de ser uma pessoa que voc√™ n√£o √©. Isso realmente n√£o faz o menor sentido. Mas tem uma explica√ß√£o. As pessoas vivem de uma forma inconsciente, se baseiam em desejos, fantasias e n√£o na verdade. Ent√£o surgiu a psicologia do consumo que estuda padr√Ķes de comportamento dos consumidores para usar essa caracter√≠stica humana para gerar lucro. Acredito que o consumo deliberado come√ßou mais ou menos em 1955, depois da segunda guerra mundial o economista Victor Lebow publicou uma recomenda√ß√£o: a nossa economia precisa que o consumo se torne o elemento central do nosso estilo de vida. Precisamos converter o ato de comprar em rituais, o uso de um produto deve ser um ritual que usamos para a nossa satisfa√ß√£o pessoal e espiritual. Devemos satisfazer o nosso ego pelo consumo. Como medir o status social de algu√©m? Como medir o n√≠vel de aceitabilidade de uma pessoa pela sociedade? Como definir o prest√≠gio de um sujeito? Pelo padr√£o de consumo. O significado de nossa vida deve ser entendido a partir dos padr√Ķes de consumo. Precisamos de uma maior press√£o em cima das pessoas para se adequarem √†s novas regras de aceita√ß√£o social, elas devem expressar sua individualidade a partir das coisas que possuem. Devem consumir, queimar, substituir e descartar em uma velocidade muito r√°pida. E isso funciona porque a maioria das pessoas n√£o tem controle sobre o pr√≥prio ego. A obsolesc√™ncia planejada ou programada faz com que algo n√£o funcione mais t√£o bem com o passar do tempo para que seja descartado rapidamente e comprado um modelo mais novo, sem causar revolta nas pessoas para que elas continuem comprando sem reclamar. E a obsolesc√™ncia perceptiva √© sobre a apar√™ncia do objeto. Sentimos vergonha de ter algo velho, nos sentimos infelizes com o que temos, ent√£o jogamos fora coisas que funcionam bem porque n√£o est√£o mais na moda. Vamos pensar como realmente funciona o consumo. Primeiro √© feita a extra√ß√£o, que √© a explora√ß√£o de recursos naturais do planeta que n√£o s√£o repostos, s√£o apenas usados como o petr√≥leo, metais e at√© mesmo a √°gua. Depois vem a etapa da produ√ß√£o, que √© a transforma√ß√£o da mat√©ria prima bruta em produto de consumo. A maioria dos produtos que consumimos s√£o t√≥xicos, ou feitos de uma maneira t√≥xica que nos prejudica, ou pela polui√ß√£o do ar, atrav√©s das chamin√©s das f√°bricas, ou atrav√©s do nosso contato direto com o produto final. Ningu√©m realmente quer consumir coisas t√≥xicas, mas fazemos isso porque n√£o pensamos sobre isso. Depois vem a fase da distribui√ß√£o que √© vender os produtos o mais r√°pido poss√≠vel. Mas voc√™ j√° percebeu que a maior parte de toda a produ√ß√£o vira lixo em menos de seis meses? Utilizamos menos de 10%, conseguimos ter uma ideia disso observando o tanto de lixo que produzimos em uma semana. E esse lixo ou √© colocado em um aterro, ou √© incinerado. Mas a nossa parte √© apenas leva-lo at√© a rua para que o lixeiro leve embora e ele desapare√ßa. As duas formas de acabar com o lixo poluem o ar, a √°gua, alteram o clima. N√£o existe jogar fora o lixo do ponto de vista do planeta. A reciclagem, que seria uma forma positiva de resolver essa quest√£o, n√£o dar√° conta se o ritmo continuar assim. Resumindo, utilizamos todo o recurso do planeta, contaminamos o ar, a √°gua, as pessoas que trabalham nas f√°bricas e as que consomem. Para produzir lixo e poluir cada vez mais o planeta. E tudo isso para que poucas pessoas ganhem muito dinheiro. E acontece isso por qu√™? Apenas porque ainda existem pessoas inconscientes e incoerentes que n√£o pensam nesse processo. A necessidade das pessoas atualmente √© ser feliz. Por isso h√° um grande com√©rcio por tr√°s dessa ideia. ‚ÄúAbra a felicidade‚ÄĚ, ‚ÄúVem ser feliz‚ÄĚ, ‚ÄúLugar de gente feliz‚ÄĚ, entre outras. Por que √© nessa √©poca que as pessoas est√£o mais infelizes do que nunca. E a publicidade se aproveita disso. Nossa felicidade est√° declinando. Temos mais coisas, por√©m menos tempo para o que realmente nos faz felizes. Estamos trabalhando mais do que nunca, e no pouco tempo livre que temos, vemos televis√£o, onde ouvimos que estamos inadequados, e que precisamos comprar coisas. Ou ent√£o estamos bisbilhotamos a vida dos outros nas redes sociais e vendo o que eles possuem. E ent√£o fazemos compras para nos sentirmos melhor. O ciclo √© trabalhar, ver, comprar. Para acabar com isso √© s√≥ parar. Mas felicidade est√° relacionada a verdades. As pessoas n√£o se sentem felizes, pois n√£o est√£o vivendo a verdade. Acreditam em uma ilus√£o, pois temem o sofrimento. Acreditar em fantasias leva a viver uma ilus√£o e a n√£o ver a realidade. Quando pensamos que o consumo pode chegar a extremos, de fazer com que uma pessoa que se veja completamente endividada seja capaz de tirar a pr√≥pria vida, percebemos que realmente h√° algo de muito errado em viver dessa forma. ASSISTA AQUI AO FILME: AMOR POR CONTRATO

  • H√° muito tempo n√£o percebia em um filme a permiss√£o, e at√© mesmo o incentivo, para a mulher ser feminina. ¬†‚ÄúTenha coragem e seja gentil‚ÄĚ, foram os ensinamentos passados pela m√£e, para a Cinderella. Se todas as mulheres seguissem esses ensinamentos, tenho certeza de que as coisas seriam bem diferentes. Toda mulher, querendo ou n√£o, traz consigo nos planos gen√©tico, emocional e espiritual, o melhor e o pior de sua descend√™ncia feminina, de sua m√£e e av√≥. Cabe a cada uma identificar o que √© de sua ess√™ncia e o que √© uma repeti√ß√£o de comportamento familiar. Al√©m disso, tamb√©m temos guardado v√°rios arqu√©tipos femininos que se manifestam em diferentes fases e situa√ß√Ķes de nossa vida. Em Cinderella vemos 3 tipos de mulheres, ou arqu√©tipos: a ‚Äúmulher perfeita‚ÄĚ na pr√≥pria Cinderella. A mulher que toda mulher, no fundo, quer ser. Ela sabe ser feminina e assim conquista todos os seus objetivos e √© feliz para sempre em seu castelo (independente do que o castelo represente). Tamb√©m temos a ‚Äúm√£e perfeita‚ÄĚ, representada pela m√£e de Cinderella e pela Fada Madrinha. Mulheres s√°bias que sabem ser mulher, s√£o m√°gicas, felizes, s√£o provedoras da felicidade. E a ‚Äúmulher moderna‚ÄĚ que √© representada pela Madrasta, uma mulher que luta pelo seu futuro n√£o se importando muito com as consequ√™ncias, planeja racionalmente, n√£o tem sensibilidade nem do√ßura, n√£o √© feminina, √© invejosa e fria. ¬†Os Arqu√©tipos s√£o conte√ļdos psicol√≥gicos universais que ajudam a moldar o desenvolvimento das pessoas e seus relacionamentos. Da mesma forma que todos carregam caracter√≠sticas anat√īmicas no DNA, √© como se carregassem tamb√©m tipos de comportamentos. Como se todos tivessem v√°rios personagens dentro de si e eles influenciassem as escolhas. Esses personagens s√£o os Arqu√©tipos. Houve uma grande mudan√ßa comportamental nas ultimas d√©cadas. Mulheres lutaram por seus direitos e homens tentaram se adaptar. Na busca por uma rela√ß√£o igualit√°ria, as mulheres acharam que precisavam endurecer para serem reconhecidas, respeitadas e admiradas. Por s√©culos a mulher foi oprimida, humilhada, at√© que as condi√ß√Ķes sociais foram favorecendo e permitindo uma revolta contra sua condi√ß√£o de inferioridade. As primeiras feministas, diante da for√ßa esmagadora da tradi√ß√£o, e sem referencial feminino de poder, viram-se obrigadas a tornarem-se supermulheres, por√©m, sem quase nenhuma caracter√≠stica feminina. Elas achavam que para competir com homens deveriam igualar-se a eles. E assim foi, tornaram-se t√£o agressivas, competitivas e duras ou mais do que os homens, perderam a do√ßura, a beleza de ser mulher e n√£o sabem exatamente o que isso significa. Na medida em que as mulheres foram conquistando espa√ßo, respeito e admira√ß√£o dos homens, a luta se abrandou, mas no inconsciente coletivo feminino ficou a lembran√ßa de uma √©poca terrivelmente desfavor√°vel para a mulher e dessa forma, o medo em deixar aflorar caracter√≠sticas unicamente femininas. √Č preciso aceitar que homens e mulheres s√£o diferentes e que por isso se completam. A complica√ß√£o se d√° quando as mulheres n√£o reconhecem fortalezas em caracter√≠sticas femininas e passam a se comportar como homens, tornam-se mais agressivas, rudes, pouco intuitivas e sens√≠veis. Os homens para equilibrar o relacionamento tentam se adaptar e n√£o se sentem confiantes. Muitas vezes, no relacionamento, s√£o dois homens disputando o mesmo espa√ßo. E quando isso acontece ambos sofrem. O medo inconsciente do retorno da domina√ß√£o masculina faz com que a mulher de hoje evite uma entrega completa nos relacionamentos, assim como os homens, que temem ser dominados e perder a virilidade. Homens e mulheres entregam-se at√© certo ponto a um relacionamento por medo. O resultado √© a incompletude da rela√ß√£o amorosa, que deixa ambos insatisfeitos, facilitando o rompimento ou a procura por outros parceiros. Homens e mulheres s√£o seres diferentes que se completam. Ambos t√™m caracter√≠sticas igualmente importantes, que se usadas em complemento conquistam mais objetivos e ambos sentem-se mais seguros. Por natureza, mulheres s√£o seres ‚Äúm√°gicos‚ÄĚ, elas t√™m o poder da intui√ß√£o, da manifesta√ß√£o, da empatia. Sabem a cura para todos os males, t√™m uma liga√ß√£o forte com a terra. Um exemplo disso foram as bruxas, mulheres completamente femininas, que dominavam a sabedoria das plantas, entre outras coisas, fato que assustava os homens que¬†usaram da for√ßa e viol√™ncia para amedrontar as mulheres e fazerem-nas culpadas por serem mulheres. Assim como esse, h√° v√°rios outros exemplos, como as Gueixas que eram mulheres artistas, femininas, inteligentes que com sua do√ßura influenciavam as decis√Ķes de homens importantes, hoje s√£o comparadas a prostitutas. Maria Madalena tamb√©m teve seu papel importante ao lado de Jesus, mas jamais uma sociedade machista aceitaria que uma mulher levasse o legado do homem mais importante do mundo e fundasse o cristianismo, ent√£o foi chamada de prostituta. V√°rios exemplos existem, mas as mulheres de hoje n√£o sabem o que √© ser mulher e quando falamos que √© ser diferente de homem, automaticamente elas pensam em inferioridade, rejeitam essa ideia e at√© s√£o agressivas. O resultado dessa invers√£o de pap√©is √© que nunca houve tantas mulheres infelizes, descontroladas e dopadas. Mulheres n√£o reconhecem mais em si caracter√≠sticas femininas positivas, n√£o acreditam em seu potencial, ent√£o n√£o passam esse ensinamento para suas filhas e assim vai. Trabalham muito e lutam para provar para todos que s√£o t√£o competentes quanto os homens, por√©m se esquecem de seus pap√©is femininos como ser m√£e. N√£o generalizando, mas h√° cada vez mais crian√ßas negligenciadas, adolescentes sem limites e adultos que n√£o sabem por que nasceram. Quando as mulheres entenderem que n√£o precisam disputar espa√ßo, que s√£o t√£o boas quanto os homens, de uma maneira diferente. Haver√° um equil√≠brio e uma harmonia ben√©fica para ambos.

  • N√£o h√° como negar, a trilogia √© um grande sucesso. Com mais de quarenta milh√Ķes de c√≥pias vendidas em trinta e sete pa√≠ses, o primeiro livro se torna filme e praticamente todas as pessoas que ouviram falar da hist√≥ria, t√™m uma opini√£o forte sobre o assunto, seja positiva ou negativa. Homens e mulheres d√£o declara√ß√Ķes efusivas sobre Christian Grey. Um homem que amarra, bate, faz contratos sobre seus comportamentos sexuais, oferece dores f√≠sicas como prazer. Por√©m, oferece um mundo luxuoso, √© cuidadoso, preocupado, atencioso, generoso, lindo, sedutor, focado, empres√°rio bem sucedido, entre outras qualidades que ele apresenta. ‚ÄúFifty shades of Grey‚ÄĚ, a tradu√ß√£o correta seria, ‚ÄúAs cinquenta sombras de Grey‚ÄĚ. Carl ¬†Jung define sombra como: ‚Äúa coisa que uma pessoa n√£o tem desejo de ser‚ÄĚ. Segundo a Psicologia Anal√≠tica, a sombra √© a parte primitiva da natureza humana. Nela cont√™m todas aquelas atividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aqueles que a sociedade, e at√© n√≥s mesmos, n√£o queremos e podemos aceitar. Ela nos leva a ter comportamentos que normalmente n√£o nos permitir√≠amos ter. Todos os seres humanos carregam uma sombra, e quanto menos ela est√° incorporada na vida consciente do sujeito, mais negra e densa ela √©. Ou seja, quanto mais a pessoa ignorar sua parte sombria, pior a sombra ficar√°. Se um aspecto da sombra √© consciente, sempre se tem a oportunidade de corrigi-la. Por√©m se for reprimida, jamais ser√° corrigida e pode irromper subitamente em um momento de inconsci√™ncia.   "Todo mundo carrega uma¬†sombra, e quanto menos ela est√° incorporada na vida consciente do indiv√≠duo, mais negra e densa ela √©"¬†(Jung)¬† ¬† As sombras de Christian Grey s√£o seus desejos em¬†causar dor, causar humilha√ß√£o, ser s√°dico. E ele consegue incorporar sua sombra em sua personalidade, dando vaz√£o a ela quando √© permitido, sem nenhum tipo de descontrole. J√° quem tenta a todo custo esconder e rejeitar essa sombra, acabam por ter comportamentos violentos e descontrolados em algum momento da vida. ¬†... Conversando com uma grande amiga, ela me mostrou seu ponto de vista sobre o motivo do filme ter feito tanto sucesso entre as mulheres. Muitas mulheres est√£o adormecidas, vivem sem um prop√≥sito, sem ser aut√™ntica com suas vontades, em um relacionamento morno. Muitas sofrem de ‚Äúdesinteresse pela pr√≥pria vida‚ÄĚ. E quando uma chicotada acontece, acorda esse corpo. Ela passa a sentir. Sente dor, mas sente. Sente-se viva, desperta. A dor acorda um corpo adormecido. Ela volta a vida.   O que causa revolta em alguns √© que se trata de um romance sadomasoquista e machista. Est√°vamos acostumados com protagonistas fortes, independentes, autossuficientes. E Anast√°cia nos aparece fr√°gil, t√≠mida, virgem, submissa. Como a maioria das mulheres, por isso tanta identifica√ß√£o. √Č muito bonito a mulher se apresentar como forte, inabal√°vel, independente, autossuficiente, batalhadora, multitarefas, e tudo aquilo que as feministas querem que as mulheres sejam, mas ser√° que elas realmente sentem-se bem assim? Mas a mulher que n√£o deseja ser assim √© expulsa do clube das mulheres incr√≠veis, √© julgada pelas amigas e sente vergonha em ser diferente. Por isso ningu√©m se assume como fr√°gil, carente, insegura, submissa. E ent√£o um livro desses vira um dos livros mais vendidos da hist√≥ria. √Č porque tem alguma coisa de errado. Anast√°sia Steele representa o arqu√©tipo da mulher comum, Ela √© uma jovem de classe m√©dia, t√≠mida, desajeitada, tem autoestima baixa e √© virgem. √Č estudiosa, inteligente sem ser genial, gosta de livros cl√°ssicos, √© sagaz, bonita, mas n√£o exuberante, √© teimosa, mas tamb√©m submissa. Sente-se levemente ofuscada por sua amiga. Ela √© a mulher com quem a maioria das mulheres pode se identificar. O que eu vejo √© uma troca de interesses em que ambos est√£o bem conscientes do que acontece. E qual relacionamento n√£o √© uma troca? Qual n√£o causa dor? Quando nos relacionamos com algu√©m, fazemos um balan√ßo dos pr√≥s e contra que a pessoa traz consigo. Avaliamos o custo benef√≠cio da rela√ß√£o e decidimos ficar ou n√£o. Ouvi muita gente dizer que a personagem Anast√°cia era muito jovem e foi manipulada. √Č t√£o f√°cil n√£o assumir a responsabilidade sobre a pr√≥pria vida e culpar o outro, n√£o √©? √Č muito bom ter quem culpar quando as coisas n√£o d√£o certo. N√£o sentimos culpa, e nos acomodamos. E assim vivemos uma vida que n√£o queremos e culpamos o outro por isso. Christian Grey representa o arqu√©tipo do homem perfeito. Ele √© bonito, alto, empres√°rio multibilion√°rio, extremamente bem sucedido, competente, trabalhador, culto, inteligente, educado, cort√™s, misterioso, com segredos importantes a serem desvendadas, uma inf√Ęncia sofrida e uma vida para ser salva. N√£o vejo o que acontece como abuso, nem manipula√ß√£o, pois √© consensual. H√° regras bem claras que podem ser aceitas ou n√£o. E Anast√°cia pede para que tudo aquilo aconte√ßa. Pede para sentir dor. T√£o parecido com mulheres que s√£o tra√≠das e pedem para o parceiro relatar nos m√≠nimos detalhes tudo o que aconteceu... Isso tamb√©m √© pedir para sentir dor. Ou mulheres que insistem em um relacionamento falido, isso √© querer sentir dor. Ou ent√£o querer saber dos detalhes da vida de um ex namorado. Estamos sempre procurando a dor, de uma forma ou de outra. A trama est√° longe de ser um relacionamento saud√°vel, mas cada um sabe das suas sombras e seus impulsos. Cada um escolhe o relacionamento em que quer estar. E quem nunca procurou sentiu dor em um relacionamento que atire a primeira pedra.

  • O novo filme da Disney que n√£o foi um sucesso de bilheteria, mas um sucesso comercial. Tem como protagonista Angelina Jolie e relata a hist√≥ria de Mal√©fica, a bruxa malvada e antagonista de ‚ÄúBela adormecida‚ÄĚ. O interessante do filme √© que tenta explicar o porqu√™ da maldade da bruxa, ou fada como ela √© descrita. Mal√©vola √© inicialmente boa e depois acontecimentos fazem com que ela se torne m√°. Parece que todo o nosso conceito de mau apresenta uma origem boa. Bom e mau s√£o for√ßas que se anulariam caso uma n√£o existisse, e s√≥ conseguimos perceber uma quando percebemos a outra. Todas as pessoas s√£o metade luz e metade sombra, cada um decide qual ir√° alimentar. Agora se formos pensar em um mau como for√ßa externa existente e manipuladora das pessoas, um conceito crist√£o de mau. Podemos perceber no filme uma analogia √† hist√≥ria de L√ļcifer, um anjo ca√≠do, sem asas, um ser mau que √© inicialmente bom... e por a√≠ vai. ¬†... O filme nos apresenta inicialmente dois reinos distintos em guerra: o reino dos humanos e o reino Moors, onde vivem seres m√°gicos incluindo a fada Mal√©vola. Podemos ver isso como uma representa√ß√£o do consciente, reino humano, e inconsciente, onde vivem os arqu√©tipos e todos os seres m√°gicos e m√≠ticos. Mal√©fica √© protetora do reino Moors, que faz fronteira com o reino dos humanos. Stefan, um humano crian√ßa, invade o reino Moors para roubar e √© repreendido por Mal√©fica que impede o roubo. Eles acabam se tornando amigos e foi o come√ßo de uma paix√£o. Stefan sempre se mostrou muito ambicioso e com pouco car√°ter. Em um dado momento, quando j√° eram adultos, houve uma tentativa do rei em invadir a terra dos Moors, Mal√©fica defendeu e ganhou a batalha, deixando o rei humilhado e furioso. Ele ent√£o pediu a sua cabe√ßa, e o homem que a matasse se casaria com a princesa e herdaria o trono. Stefan ent√£o usou o amor que Mal√©fica sentia por ele para se aproximar dela, cortou suas asas e as levou para o rei em prova de sua lealdade. Casou-se com a princesa e tornou-se rei. At√© aqui vemos tr√™s personagens. No reino humano, consci√™ncia h√° dois homens e nenhuma mulher, fala-se em uma princesa, mas ela serve apenas como base para Stefan alcan√ßar suas ambi√ß√Ķes. J√° no reino Moors, inconsciente h√° Mal√©vola, podendo representar a anima (lado feminino inconsciente dos homens). Stefan corta as asas de Mal√©fica, cortar as asas da anima. Um homem que corta as asas de sua mulher interior. Segundo Jung, anima √© uma figura arquet√≠pica que cont√©m todas as experi√™ncias da rela√ß√£o do homem com a mulher durante toda a hist√≥ria da humanidade e por meio dela o homem consegue compreender a natureza da mulher. A anima √© respons√°vel por fazer a liga√ß√£o entre o consciente e o inconsciente. ¬†Muitos homens negam a exist√™ncia do inconsciente e n√£o deixam que seu lado feminino se expresse livremente, perdem a capacidade de sentir emo√ß√Ķes e tornam-se extremamente racionais. Foi o que aconteceu com Stefan, ficou t√£o desequilibrado que se perdeu em sua loucura. Como a anima n√£o foi aceita e muito menos integrada, ela volta de uma forma primitiva como sombra, vingativa, furiosa. ... Um outro ponto de vista... Mal√©fica estava tra√≠da, abandonada, mutilada, com o cora√ß√£o partido e sem poder voar. E esse foi o motivo desencadeador de toda a maldade que havia dentro dela vir √† tona. Ela se torna m√° e o reino Moors se torna escuro e opressivo. Ela ent√£o invoca um poder do universo e canaliza toda essa for√ßa, tornando-se ainda mais poderosa. H√° um momento em que ela salva um corvo da morte e o torna seu servo e informante. Um ato de bondade com uma finalidade ego√≠sta e m√°. E ent√£o esse corvo passa a contar todas as ‚Äúfofocas‚ÄĚ do castelo e Mal√©fica dedica sua vida a bisbilhotar e pensar em como prejudicar a vida de Stefan. H√° cr√≠ticos que condenam o filme, desde sua vers√£o original por ser uma hist√≥ria machista. Uma mulher que teve o cora√ß√£o partido n√£o faz mais nada da vida al√©m de acompanhar de longe a vida do amado e pensar em formas de prejudica-lo. E colocando a hist√≥ria para os dias atuais. Uma mulher √© abandonada, tra√≠da e rejeitada por um ex namorado fica acompanhando a vida do sujeito pelo facebook e na primeira oportunidade tenta se vingar. Bom, a hist√≥ria n√£o √© de todo fantasiosa. ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† Mal√©fica espera a oportunidade e quando descobre que Stefan teve uma filha, vai at√© a festa de batizado da rec√©m nascida, Aurora. Chegando l√°, faz uma entrada teatral e poderosa, t√≠pica de mulher rejeitada que quer sair por cima, n√£o podemos conden√°-la por isso. E lan√ßa uma maldi√ß√£o que se iniciar√° ao d√©cimo sexto anivers√°rio da menina, depois que espetar o dedo no fuso de uma roca de fiar que far√° com que ela caia em sono profundo para sempre ou at√© ser beijada pelo amor verdadeiro, coisa que ela julga imposs√≠vel de acontecer. Assim que a maldi√ß√£o √© lan√ßada, o rei manda trancar em uma sala (n√£o destruir, trancar) todas as rocas de fiar que existem no reino. Imediatamente envia Aurora para morar no meio da floresta com tr√™s fadas, que n√£o podem usar seus poderes, at√© um dia depois do d√©cimo sexto anivers√°rio dela. E tamb√©m manda seus homens irem atr√°s de Mal√©vola para mat√°-la, por√©m ela cria um escudo de espinhos impenetr√°vel em volta de seu reino. Stefan j√° sem contato com sua anima e seu inconsciente, tenta eliminar completamente o feminino de sua vida. Al√©m de querer matar Mal√©vola, nega completamente sua fun√ß√£o paterna, negligenciando Aurora aos cuidados de tr√™s fadas incompetentes. N√£o d√° a m√≠nima aten√ß√£o para sua esposa, que est√° √† beira da morte, e n√£o tem o nome mencionado nenhuma vez. E ao inv√©s de destruir as rocas de fiar ele as tranca em uma sala no castelo, ou seja, n√£o quer realmente salvar sua filha. Quando um homem rejeita seu feminino √© tomado por ele, √© invadido por sentimentos primitivos e n√£o sabe administrar suas emo√ß√Ķes, torna-se raivoso, nervoso, vingativo... Mal√©fica torna-se uma protetora de Aurora, salvando-a da morte algumas vezes. Podemos pensar em uma m√£e que mesmo n√£o gostando da filha sente-se na obriga√ß√£o de cuidar e zelar pelo seu bem. Quando a menina tem quinze anos elas t√™m a primeira conversa, tornam-se amigas e passam boa parte do dia juntas em Moors. Mal√©fica tenta revogar a maldi√ß√£o, mas n√£o consegue. No dia em que Aurora completa 16 anos toda a verdade √© revelada a ela, e ela vai atr√°s de seu pai e a maldi√ß√£o se concretiza. Mal√©fica vai atr√°s do pr√≠ncipe Phillip e o leva at√© ela, com a esperan√ßa de que ele seja o amor verdadeiro de Aurora, pois eles j√° haviam se conhecido e se gostado anteriormente. O beijo n√£o surte nenhum feito. Mal√©vola se desculpa com a princesa enquanto jura que n√£o deixar√° que nenhum mal lhe aconte√ßa, beija-a a testa e esse beijo a faz despertar. A maldi√ß√£o foi quebrada por um beijo materno de amor verdadeiro. Elas tentam fugir do castelo, mas uma rede de ferro cai sobre Mal√©vola que √© ferida ao se encostar em ferro. Ela transforma seu corvo em Drag√£o, mas s√≥ consegue se salvar quando suas asas s√£o libertas por Aurora e integradas a ela novamente. Podemos ver a representa√ß√£o do animus (parte masculina de uma mulher) de Mal√©vola representado por Diaval, ele √© as asas que ela perdeu. Um corvo que se transforma em homem, que se transforma em drag√£o. O que significa que este animus n√£o est√° t√£o primitivo e que ela tem acesso ao seu inconsciente. Mal√©vola √© salva por Aurora, passa a conhecer o amor verdadeiro em forma de maternidade, recupera suas asas e perde a necessidade de fazer maldade e prejudicar Stefan. Aurora torna-se rainha de Moors e integra os reinos. O bem vence o mau e todos s√£o felizes para sempre...  

  •   H√° quem amou, quem odiou, e quem n√£o entendeu. Uma bela e complexa mistura de f√≠sica, espiritualidade, f√≠sica qu√Ęntica, m√°fia coreana, a√ß√£o com a ideia de que os seres humanos utilizam apenas 10% do c√©rebro. Lucy √© uma jovem de classe m√©dia que leva uma vida normal, mora e estuda em Taiwan. Vivida por¬†Scarlett Johansson. Depois de cair em uma armadilha, em que √© presa a uma maleta, contendo pequenos sacos de CPH4 em p√≥, uma droga sint√©tica. Lucy¬†√© levada por um grupo de mafiosos coreanos, que ao descobrirem o conte√ļdo da maleta, decidem vend√™-lo.¬†Lucy¬†√© usada como "mula", tendo a droga colocada dentro de sua barriga atrav√©s de uma cirurgia clandestina. Quando chega ao seu destino, Lucy se defende de um abusador e √© golpeada muitas vezes na barriga, o pacote de CPH4 se rompe e o conte√ļdo se espalha, reagindo quimicamente em seu organismo. A consequ√™ncia disso √© a possibilidade de acessar mais partes de seu c√©rebro, chegando a 100% de sua capacidade e ter a percep√ß√£o da realidade expandida. Ela passa a perceber as coisas atrav√©s dos √°tomos e n√£o da mat√©ria, como n√≥s percebemos, por isso desenvolve a capacidade de alterar qualquer coisa material. O que teoricamente √© poss√≠vel, pois tudo que h√° √© da forma que √© por um arranjo de √°tomos, tudo √© composto por √°tomos que vibram, ent√£o para mudar qualquer coisa √© preciso apenas reorganiza-los. Pensem, usando apenas 10% da nossa capacidade mental, criamos a linguagem, a filosofia, civiliza√ß√Ķes, culturas, tecnologia. Imagine se todos acessassem e usassem 100%?! E como eu sei que usamos apenas 10%? Porque h√° exemplos de seres humanos que fizeram coisas extraordin√°rias e que a maioria jamais conseguiria fazer. N√£o sei se acessaram 100% mas com certeza muito mais do que 10%. Por que Jesus nasceu e viveu como um ser humano? Para nos mostrar a imensa capacidade que temos e que n√£o usamos. ‚ÄúEnt√£o Deus disse, fa√ßamos o homem √† nossa imagem, conforme a nossa semelhan√ßa...‚ÄĚ (G√™nesis 1:26). Uma met√°fora b√≠blica para nos mostrar que temos um grande potencial divino. Ent√£o, como acessar toda nossa capacidade mental? A resposta est√° no filme. Nada disso √© comprovado pela neuroci√™ncia, e mesmo que fosse essa ideia n√£o poderia ser liberada para todas as pessoas, pois a maioria √© despreparada e n√£o sabe lidar com o ego e muito menos com o poder que temos. Ent√£o posso dizer que se trata de um filme de fic√ß√£o cientifica com muita verdade embutida. Mas vamos ao dialogo esclarecedor: - Como conseguiu acessar toda essa informa√ß√£o? - Impulsos el√©tricos, cada c√©lula conhece e conversa com todas as outras, elas trocam mil bits de informa√ß√£o por segundo entre si. As c√©lulas se agrupam formando uma rede de comunica√ß√£o entre si, gigantesca, que por sua vez forma a mat√©ria. As c√©lulas se re√ļnem, assumem uma forma, se deformam do jeito que quiser, n√£o faz diferen√ßa, √© tudo igual. - Os humanos se consideram √ļnicos, ent√£o basearam toda sua teoria de exist√™ncia em sua singularidade, 1 √© a sua unidade de medida, mas n√£o √©. Todos os sistemas sociais que criamos s√£o apenas esbo√ßos, 1 + 1 = 2 √© s√≥ o que apreendemos, mas 1 + 1 nunca foi igual a 2. Na verdade n√£o existem n√ļmeros, nem letras, codificamos nossa exist√™ncia para reduzi-la ao tamanho do homem, para deixa-la compreens√≠vel. Criamos uma medida para podermos esquecer sua insond√°vel escala. - Filmem um carro correndo em uma estrada, acelerem a velocidade da imagem infinitamente e o carro desaparece. Ent√£o que prova temos de sua exist√™ncia? O tempo d√° legitimidade a sua exist√™ncia. O tempo √© a √ļnica unidade real de medida. Ele √© prova da exist√™ncia da mat√©ria. Sem o tempo n√£o existimos. - Todo esse conhecimento. N√£o sei se a humanidade est√° preparada para ele. Somos movidos pelo poder e o lucro. Diante da natureza humana, pode nos trazer apenas instabilidade e caos. - A ignor√Ęncia tr√°s o caos, n√£o o conhecimento.   O filme sugere que quem consegue acessar mais de 10% da capacidade cerebral, come√ßa a desenvolver total controle sobre o pr√≥prio corpo, c√©lulas, metabolismo. N√£o h√° mais obst√°culos, √© poss√≠vel acessar todo o inconsciente e lembrar-se de todas as experi√™ncias j√° vividas. Controle tamb√©m das outras pessoas; das ondas magn√©ticas e el√©tricas. Lucy diz: ‚ÄúN√£o h√° sentimentos de dor, medo, desejo. Tudo que faz um humano desaparece.‚ÄĚ Entendo isso como, tudo que √© do ego desaparece, pois tendo um acesso √† totalidade do Ser, vive-se na ess√™ncia do Ser, vive-se toda a verdade e n√£o mais armadilhas do ego. Ao se aproximar de 100% de sua capacidade, ela compreende, e vivencia, a base da teoria qu√Ęntica e tamb√©m espiritual. Somos todos um e todo tipo de separa√ß√£o √© ilus√≥ria. Abra sua mente para novas ideias... Se pegarmos o planeta Terra e compactarmos toda sua hist√≥ria em um ano, os humanos apareceriam no planeta nos √ļltimos minutos do dia 31 de dezembro. Isso quer dizer que somos muito, muito jovens e que todo o conhecimento que temos √© pouco para afirmarmos qualquer coisa com certeza. Pensando nisso, a ideia de ter controle sobre o pr√≥prio corpo e o ambiente √© t√£o absurda? Como todos somos uma coisa s√≥, entendemos que dois objetos/pessoas podem estar conectados independente da distancia que os separa. Isso explica o inconsciente coletivo, cura a distancia e outras coisas. No in√≠cio, antes do Big Bang toda a mat√©ria estava agrupada, acumulada em um ponto que depois da explos√£o se expandiu. Tudo que estava l√° ainda permanece e est√° correlacionado. Vamos pensar um pouco em f√≠sica, el√©trons, todo el√©tron vibra, em uma certa frequ√™ncia, e forma um campo ao seu redor e todas as part√≠culas, de tudo que h√°, s√£o concentra√ß√Ķes desse campo, ent√£o tudo √© campo e tudo est√° conectado. E dependendo da frequ√™ncia, o el√©tron consegue se estabilizar com uma nova massa. Quando Lucy¬†sai de seu corpo biol√≥gico, torna-se apenas consci√™ncia, ela tem no√ß√£o de tudo que j√° foi, √© e ser√° na hist√≥ria do nosso planeta. A mesma ideia do registro¬†Ak√°shico. O ser humano √© algo primitivo. O corpo humano biol√≥gico √© primitivo, e quando a consci√™ncia se junta com o corpo, ela esquece o conhecimento que tinha antes e vive as caracter√≠sticas do ser denso com seus padr√Ķes de comportamento existentes em toda a vida terrestre. Ao se afastar dos obst√°culos da biologia e se aproximar do conhecimento universal, passa a se tornar um ser ‚Äúascendido‚ÄĚ. O que faz de nos o que somos e primitivo s√£o s√≥ obst√°culos. Para quem n√£o concorda com nada disso, no m√≠nimo o filme √© muito v√°lido, pois nos tira da ilus√£o da vida mundana e nos faz pensar: ‚ÄúA vida nos foi dada a milh√Ķes de anos, e o que fizemos com ela?‚ÄĚ O que, n√≥s, seres humanos, fizemos do planeta? Da nossa vida? Para seres primitivos como n√≥s a vida parece ter s√≥ um proposito: ganhar dinheiro¬†e sobreviver ao tempo. Mas tamb√©m passar adiante o que se aprendeu, voc√™ eleva o n√≠vel da sua consci√™ncia com o conhecimento aprendido, e o passa para frente para que os outros possam fazer o mesmo e assim, todos evolu√≠mos. Uma coisa da qual discordei √© que √† medida que ela passa a usar toda sua capacidade cerebral, torna-se fria e sem sentimentos, quase rob√≥tica. Acredito no contr√°rio, assim que se pode acessar a tudo, √© mais f√°cil se perceber e sentir a liga√ß√£o com os outros, sentir empatia, recuperar a verdadeira humanidade, lembrando que somos uma-unidade. Nos tornar cada vez mais iluminados, s√°bios e √≠ntegros. ¬†‚ÄúA vida nos foi dada h√° bilh√Ķes de anos, agora j√° sabem o que fazer com ela.‚ÄĚ (Lucy)

  • Labirinto ‚Äď A magia do tempo¬†√© um filme de 1986 que marcou a inf√Ęncia de uma gera√ß√£o, um cl√°ssico. O filme cont√©m tudo que um bom filme anos 80 precisa inclusive David Bowie no elenco. A hist√≥ria relata a ‚ÄúJordana do Her√≥i‚ÄĚ de Sarah Williams, uma jovem de 15 anos que est√° passando por uma crise adolescente. Ela tem um irm√£o ainda beb√™, Toby, fruto do casamento de seu pai com sua madrasta, do qual ela sente muito ci√ļmes, a ponto de desejar que ele n√£o existisse. O filme todo se passa em apenas uma noite em que Sarah deve tomar conta de Toby. Irritada pelo fato de o irm√£o n√£o parar de chorar e por ter que cuidar dele, ela come√ßa a fantasiar e fazer cita√ß√Ķes de trechos de seu livro ‚ÄúLabyrinth‚ÄĚ nos quais uma garota recebe poderes do rei dos duendes. Ent√£o, ao sair¬†¬†do quarto do irm√£o, ela apaga a luz e diz:¬†‚ÄúEu desejo¬†que os duendes apare√ßam e levem vo c√™ agora mesmo!‚ÄĚ. Repentinamente, Toby para de chorar. Preocupada, ela volta ao quarto do irm√£o e percebe que ele desapareceu. Ent√£o, uma¬†coruja entra pela janela e se transforma no rei dos duendes, Jareth (David Bowie), que diz a Sarah que realizou seu desejo. Arrependida, ela pede para ele desfazer o feiti√ßo, mas para isso, Jareth lhe d√° uma miss√£o a ser realizada em treze horas: atravessar o labirinto que separa o mundo exterior do castelo dos duendes, onde Toby est√°. Come√ßa ent√£o sua Jornada do Her√≥i. O labirinto n√£o tem um padr√£o e n√£o obedece a uma logica racional. Para ultrapass√°-lo √© preciso tamb√©m desvendar alguns enigmas. Partindo para uma vis√£o psicol√≥gica e um pouco espiritualizada, o filme representa exatamente a vida de uma pessoa normal, dominada pelo ego, como a maioria das pessoas desse planeta. O labirinto representa a mente. Uma mente que √© dominada pelo ego, a princ√≠pio, e que passa a¬†ter um prop√≥sito¬†a partir do aprendizado adquirido com cada etapa vencida. Se conquistar o labirinto e sobreviver, aprendendo com cada dificuldade ent√£o aprendeu a dominar o ego e est√° se elevando espiritualmente. Jareth representa o Ego e cada personagem do labirinto representa um aspecto da personalidade de Sarah. O ego √© um desejo profundo de dominar, controlar, o mundo, as pessoas as situa√ß√Ķes. √Č a mente que depende de algo externo. Que procura uma felicidade apenas externa, em coisas materiais, em breve prazeres isso √© o EU falso. O ego √© que nos da a ideia de falta, de que somos incompletos e que n√£o somos perfeitos. Apenas quando o ego √© dominado √© que realmente vivemos o nosso potencial, seres perfeitos e abundantes, a consci√™ncia que h√° em todo ser se ergue, uma consci√™ncia eterna, atemporal, imortal. Para entender melhor a ideia de ego √© preciso perceber a diferen√ßa entre os tipos de pessoas: as pessoas dominadas pelo ego que brigam facilmente, n√£o entendem os outros, s√£o confusas e sempre insatisfeitas. As pessoas que s√£o espiritualmente maduras solucionam os problemas discutindo com empatia, tentam entender os outros. ¬†(Leia mais sobre isso em¬†‚Äúcomo brigar com consci√™ncia ‚Äú) Quando Sarah busca pelo seu irm√£o, ela na realidade est√° buscando a si mesma na sua vers√£o mais pura, a de um beb√™, que √© o √ļnico momento da vida em que somos verdadeiramente o que dever√≠amos: pura ess√™ncia, um ser sem ego, sem medos, sem travas, puro amor. Enquanto Jereth/ego est√° no comando, Sarah faz o que ele quer, atravessa o labirinto com uma vis√£o racional, passa por dificuldades e tenta sobreviver, exatamente como algumas pessoas vivem, passam pela vida apenas tendo dificuldades e tentando sobreviver, justamente por estarem dominadas pelo ego. Logo que Sarah entra no labirinto ela percebe que n√£o h√° passagens, nem cantos nem curvas, apenas um caminho reto. Ela est√° seguindo com um pensamento racional, assim como n√≥s, quando olhamos para um problema, procuramos uma sa√≠da racional e n√£o vemos as infinitas possibilidades. Sarah tem sua primeira li√ß√£o, na mente/labirinto as coisas n√£o s√£o sempre o que parecem, ela percebe que est√° supondo que o caminho √© assim e que talvez n√£o seja realmente. Ela se abre para o novo e tem a intui√ß√£o de ir para o lado esquerdo, que √© o caminho certo, mas uma minhoca fala para ela n√£o ir por ali e ela obedece. Ainda dominada pelo ego, n√£o percebe sua sabedoria interior, n√£o ouve sua intui√ß√£o e prefere seguir os conselhos de um verme. Quantas vezes fazemos isso em nossa vida? Ainda usando a mente racional, ela pinta uma pedra no ch√£o com uma seta indicando para onde est√° indo, a fim de n√£o se perder, mas a pedra muda de posi√ß√£o e ela se irrita e acha isso injusto. Quantas vezes achamos injustos os acontecimentos da vida, mas na verdade apenas n√£o sabemos como o labirinto funciona. Sarah insiste em usar a l√≥gica e se depara com um grande enigma que pode custar sua vida, ela ent√£o responde de forma correta e se salva, assim aprende a seguir sua intui√ß√£o, pelo menos por hora e vai parar no calabou√ßo, onde tem uma conversa com sua consci√™ncia, Hoggle, um duende, pensa em desistir, sente medo, faz um acordo com ele e segue em frente. O ego domina a consci√™ncia, mas n√£o a ess√™ncia. Ela consegue voltar ao labirinto e encontra um velho s√°bio. Ele fala para ela: ‚ÄúO caminho adiante, √†s vezes √© o caminho para tr√°s‚ÄĚ. Para entender isso √© preciso pensar que se n√£o conseguimos chegar onde queremos, prosperidade, abundancia, amor, ou quando chegamos onde n√£o gostar√≠amos, conquistamos coisas que n√£o s√£o positivas, √© preciso resolver os conflitos do passado, ent√£o para ir pra frente √© preciso voltar para tr√°s. Outro conselho: ‚ÄúGeralmente parece que n√£o chegamos a lugar algum quando na verdade chegamos‚ÄĚ. Isso √© vivido quando o ego n√£o influencia, quando sentimos gratid√£o pelo que temos ao inv√©s de olhar para o que nos falta. Sarah encontra Ludo, um animal grande e peludo, por√©m d√≥cil. Ludo representa o medo, parece assustador, mas quando o conhecemos ele se torna nosso amigo. H√° uma cena em que v√°rios seres dan√ßam e perdem suas cabe√ßas, eles dizem: ‚Äún√≥s queremos divers√£o‚ÄĚ e logo depois a consci√™ncia/Hoggle puxa Sarah para cima e os dois caem no ‚Äúpo√ßo do fedor eterno‚ÄĚ e encontram o medo/Ludo. O que podemos perceber aqui √© que quando perdemos nossa cabe√ßa a consci√™ncia nos puxa para a realidade e depois temos um momento de ressaca moral ou f√≠sica. Claro que a divers√£o √© importante e muito boa, mas perder a cabe√ßa n√£o √© bom, √© preciso estar presente a todo o momento, pois quando voc√™ n√£o est√° vivendo a sua vida, quem est√°? Logo em seguida Sarah encontra a Didymus/coragem que domina o medo e passam a andam juntos. Ela precisa atravessar uma ponte e ent√£o segue a coragem, mas √© salva pelo medo quando a ponte desmorona. Ent√£o √© necess√°rio medo e coragem em equil√≠brio. A consci√™ncia √© dominada pelo ego, Hoggle da uma fruta envenenada para Sarah que dorme profundamente, sonha e se perde na ilus√£o da consci√™ncia at√© que decide buscar a ess√™ncia, sai da ilus√£o e cai sobre um monte de coisas entulhadas, no meio dessa montanha de lixo encontra uma porta que d√° para seu quarto e se lembra de tudo como um sonho. Come√ßa a ver v√°rios objetos da sua inf√Ęncia, mas ela sente que estava buscando algo que n√£o est√° l√°, mas n√£o se lembra. Essa situa√ß√£o parece com a ilus√£o do consumo, as pessoas sentem um vazio, buscam por algo do qual n√£o se lembram e ent√£o come√ßam a acumular objetos, lixos e coisas sem import√Ęncia. Ela ignora todos os objetos e volta a jornada em busca da sua verdadeira ess√™ncia. Sarah vence todas as armadilhas do ego e consegue chegar at√© a cidade dos duendes junto com a coragem e o medo. H√° uma batalha final e eles vencem e chegam at√© o castelo. Agora j√° dentro do castelo, pronta para enfrentar o ego, ela se v√™ entre v√°rias escadas que n√£o apresentam l√≥gica alguma, mesmo assim ela volta ao padr√£o de pensamento racional e n√£o consegue chegar at√© Toby. Quando chega ao seu limite e n√£o sabe mais o que fazer ela se joga e abandona o racional ent√£o consegue chegar onde quer. Sarah enfrenta seu ego em um di√°logo final. - Eu fui generoso at√© agora, mas posso ser cruel - E o que voc√™ fez de t√£o bom? - Tudo o que voc√™ quis eu fiz. Voc√™ pediu para a crian√ßa ser levada e eu levei. Se acovardou diante de mim e eu fui assustador. Reorganizei o tempo. Virei o mundo de cabe√ßa para baixo e fiz tudo isso por voc√™. Estou cansado de suprir suas expectativas sobre mim. Eu te pe√ßo t√£o pouco, deixe me guiar voc√™ e poder√° ter tudo o que quiser. - Voc√™ n√£o tem poder sobre mim Ent√£o o ego foi dominado e tudo volta ao normal. Sarah est√° novamente em casa, ela entrega seu urso de pel√ļcia para Toby est√° dormindo no ber√ßo, como sinal de amadurecimento. Em seu quarto ela se despede dos amigos que fez no labirinto e diz que precisa deles em sua vida, como forma de integra√ß√£o de sua sombra, seus medos e questionamentos, por√©m amadurecida e sabendo controlar seu ego.

  • Michael √© um psiquiatra que fica arrasado quando seu filho adolescente, Kyle (Trevor Blumas), se suicida. Kyle sofria de depress√£o, seu pai insistia para que ele n√£o tomasse medica√ß√£o e ao inv√©s disso fizesse terapia com seu colega de classe e amigo. O garoto mantinha rela√ß√Ķes homossexuais com o seu terapeuta, n√£o fica claro se ele era abusado sexualmente ou se era consentido, por√©m com muita vergonha. O garoto deixa um bilhete assumindo a vergonha por esse caso. Depois que o pai descobre, vai at√© esse terapeuta que comete suic√≠dio na sua frente. Depois desse fato, a fam√≠lia se desestrutura. Michael e Penny (Chelsea Field) se separam e deixam a filha, Shelly (Linda Cardellini) em segundo plano, que se revolta e se distancia dos pais. Tr√™s anos ap√≥s o ocorrido, Michael aparece ainda abatido, com a barba cheia, n√£o d√° mais consultas, apenas palestras e escreve livros. Em uma de suas palestras Barbara Wagner (Teri Polo), uma ex-aluna, lhe pede para examinar o caso de Thomas, um garoto que sofreu uma trag√©dia familiar. Ele teve sua m√£e assassinada pelo pai, que est√° preso em pris√£o perp√©tua. Tommy foi para um orfanato, e agora que est√° prestes a completar dezoito anos, ser√° liberado. Barbara sente que ele ainda n√£o est√° pronto para sair e pede que Michael pegue o caso, ele se recusa inicialmente, mas depois passa a se interessar, principalmente depois que percebe uma grande semelhan√ßa entre o garoto e seu filho. Depois que Tommy conhece a filha de Michael e descobre coisas sobre o passado da fam√≠lia, ele come√ßa a for√ßar uma semelhan√ßa com o filho de Michael para manipular o terapeuta. Tommy n√£o lida bem com o toque, principalmente quando h√° uma intens√£o sexual, foi assim que assassinou sua primeira v√≠tima. Ele era um garoto aparentemente doce e tranquilo, por√©m n√£o sabe controlar suas emo√ß√Ķes. Envolve-se em brigas e √© violento, quebrou a m√£o de um rapaz que importunava Shelly, e depois apareceu com o carro dele sem explica√ß√£o. Nessa mesma noite foi at√© o apartamento de Barbara e a agrediu, repetindo a cena de assassinato de sua m√£e. O filme termina com Tommy, ao sentir-se encurralado e depois de ter que assumir o que realmente aconteceu: Tommy era abusado sexualmente pela sua m√£e, e no dia que o pai descobriu, teve um surto de raiva, a agrediu e acabou a matando. Ele tenta cometer suic√≠dio e √© salvo por Michael que parece ali elaborar o luto do seu filho e melhora a rela√ß√£o com a filha. H√° uma cena, que se passa na cozinha, em que Michael confronta Tommy para que ele entre em contato com a realidade dos fatos que ele parecia ter recalcado. O terapeuta afirma que a m√£e de Tommy foi infiel e por isso foi morta pelo seu pai. Tommy n√£o aceita isso e fica muito agressivo. Ao ver o comportamento descontrolado de Tommy, Michael o cont√©m e o chama de Kyle, o nome de seu filho, cometendo assim um ato falho que demonstra o processo de contratransfer√™ncia um tanto confuso. ‚ÄúTransfer√™ncias s√£o reedi√ß√Ķes, redu√ß√Ķes das rea√ß√Ķes e fantasias que, durante o avan√ßo da an√°lise, costumam despertar-se e tornar-se conscientes, mas com a caracter√≠stica de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do m√©dico. Dito de outra maneira: toda uma s√©rie de experi√™ncias ps√≠quicas pr√©vias √© revivida, n√£o como algo do passado, mas como um v√≠nculo atual com a pessoa do m√©dico. Algumas s√£o simples reimpress√Ķes, reedi√ß√Ķes inalteradas. Outras se fazem com mais arte: passam por uma modera√ß√£o do seu conte√ļdo, uma sublima√ß√£o. S√£o, por tanto, edi√ß√Ķes revistas, e n√£o mais reimpress√Ķes‚ÄĚ. (FREUD, 1969. v. 7, p. 109) ‚ÄúA contratransfer√™ncia surge no m√©dico como resultado da influ√™ncia que exerce o paciente sobre os seus sentimentos inconscientes‚ÄĚ. (FREUD, 1969, p.125) Vemos dois sonhos no filme, um de Michael e outro de Tommy. Os sonhos s√£o geralmente vistos como desejos recalcados no inconsciente. Michael sonha que seu filho ainda est√° vivo, o que demonstra uma grande vontade de v√™-lo novamente. Tommy sonha que, ao quase ser beijado por Shelly, a empurra na linha do trem e ela √© atropelada. Isso pode demonstrar que ele ainda n√£o est√° preparado para receber o carinho dela. Talvez seja isso que ele gostaria de ter feito √† m√£e quando ela abusava dele, demonstrar insatisfa√ß√£o e at√© revolta.

  • Um filme de Darren Aronofsky, teve sua estreia oficial nos Estados Unidos em 3 de dezembro de 2010. Uma mistura t√£o boa de suspense com drama psicol√≥gico que levou a atriz Natalie Portman a ganhar o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz. O filme tamb√©m teve indica√ß√Ķes ao Oscar de melhor filme, melhor dire√ß√£o e melhor fotografia. O filme relata a hist√≥ria de Nina (Natalie Portman) em sua busca por si mesma. Ela vive os conflitos da passagem da inf√Ęncia, submissa e reprimida, para a vida adulta. Tem uma m√£e simbi√≥tica, manipuladora e castradora, que projeta seu desejo de realiza√ß√£o na filha. Nina sempre seguiu os passos da m√£e, reprimindo sua pr√≥pria vontade. Mesmo assim ela buscava a perfei√ß√£o em cada passo, queria se¬†tornar a primeira bailarina do corpo de bal√© de Thomas Leroy (Vincent Cassel) que prepara seu grupo para interpretar ‚ÄúO Lago dos Cisnes‚ÄĚ, obra de Tchaikovsky¬†. Ela ia bem em sua perfei√ß√£o at√© conhecer ¬†Lilly (Mila Kunis), que n√£o era nada perfeita, por√©m era tudo o que Nina n√£o era. Algo nela lhe causava inc√īmodo, no decorrer do filme ela revela uma proje√ß√£o, Lilly era tudo que Nina queria ser. Lilly tinha espontaneidade e sensualidade, coisas que faltavam a Nina, o que desencadeia uma paranoia e Nina passa a enxergar uma¬†concorr√™ncia inexistente. O diretor¬†art√≠stico, Thomas Leroy (Vincent Cassel), √© o √ļnico que tem uma vis√£o ampla da trama.¬†Assim escolhe Nina para vivenciar o papel de¬†cisne¬†branco, pois combinava perfeitamente com ela, e negro, que era exatamente o que lhe falta. Como um teste, para saber se ela poderia fazer os dois pap√©is ele a beija, e pela sua rea√ß√£o (ela o morde) ele percebe que um cisne negro est√° emergindo. Ele ent√£o ajuda a ‚Äúquebrar o ovo‚ÄĚ para nascer o cisne negro. H√° varias cenas em que ela se v√™ vestida de preto com um olhar sexy, como se fosse uma outra personalidade.¬†Significando sua sombra, e¬†a integra√ß√£o dessa sombra. Depois que ela consegue desenvolver sua sexualidade atrav√©s da paix√£o que sente pela sua proje√ß√£o, Lilly, ela ent√£o consegue fazer nascer o cisne negro. Sua morte simb√≥lica no final, demonstra que finalmente ela chegou a "perfei√ß√£o" que tanto buscou, e conseguiu deixar seu corpo infantil e viver sua sexualidade de forma madura. Como o prop√≥sito da vida √© a individua√ß√£o, onde n√£o √© mais necess√°ria proje√ß√Ķes, pois h√° uma integra√ß√£o da sobra na personalidade e consci√™ncia completa do que se √©, houve a morte. Por Luiza Franco

  • O filme conta a hist√≥ria de Elizabeth (Julia Roberts) que, para descobrir seu equil√≠brio, parte para uma viagem geogr√°fica e espiritual de autoconhecimento. A trama aborda de maneira direta a experi√™ncia de uma mulher que resolve, ap√≥s algumas experi√™ncias amorosas frustradas e um div√≥rcio, iniciar uma grande viagem para a It√°lia,¬†√ćndia¬†e Indon√©sia, durante um ano. Essa viagem √© tanto geogr√°fica quanto interna em busca de se descobrir naqueles mecanismos de repeti√ß√£o. Um bom tema nos tempos de amores l√≠quidos (n√£o mais s√≥lidos), rela√ß√Ķes¬†fast food, solid√£o compartilhada, medo do sofrimento amoroso e evita√ß√£o de relacionamentos s√©rios. Esse filme nos da uma bela oportunidade de proje√ß√£o, quem nunca pensou em largar tudo depois de uma desilus√£o amorosa? Pode ser chamado de filme de autoajuda. D√° para ter bons¬†insights¬†atrav√©s dele. A hist√≥ria come√ßa com uma met√°fora, mostrando a complexidade do psiquismo humano.¬†Somos seres conflitantes que estamos fadados √† neurose. Mesmo nas situa√ß√Ķes mais adversas, questionamos sempre os mesmos fatos. A fantasia do casamento ideal √© universal e √© o ponto de partida do filme. O relacionamento, que antes parecia perfeito, come√ßa a sentir os primeiros abalos. A ang√ļstia sentida por ela √© t√£o forte que a faz rezar muito em busca de respostas. Ela ent√£o decide terminar um relacionamento carente de comunica√ß√£o. Liz come√ßa sua viagem pela It√°lia. L√° ela tampa alguns buracos com boa comida, engorda alguns quilos mas n√£o se preocupa com isso. Depois ela vai para a √ćndia, onde a religi√£o e as filosofias de vida orientais s√£o ferramentas para auxilia-la a encontrar o perd√£o. O perd√£o por n√£o ter conseguido levar um casamento at√© o fim de sua vida, por n√£o ter dado certo em nenhum de seus relacionamentos, por ser uma mulher de 36 anos e ainda n√£o ser bem resolvida‚Ķ Perd√£o para finalmente poder seguir em frente. Quando ela parece preparada para uma nova etapa de sua vida, vai para a Indon√©sia, tem um choque cultural e v√™ o que realmente importa. O AMOR. L√° ela conhece Felipe, um brasileiro muito bem interpretado por¬†Javier Bardem, que tem um jeito¬†latino caliente, sedutor com uma malandragem irresist√≠vel de brasileiro. Eles vivem um amor pleno, uma paix√£o quase adolescente que os amedronta. ‚ÄĚ Sofrer por medo de sofrer‚ÄĚ nunca entenderei isso nas pessoas‚Ķ Ele tamb√©m tem problemas de relacionamentos. O tema abordado na hist√≥ria dele √© como os homens est√£o se sentindo perdidos com o fato de as mulheres se tornarem t√£o independentes e¬†autossuficientes, realmente parece que o homens e mulheres n√£o sabem mais qual seu papel um na vida do outro e no mundo, isso torna as coisas um pouco confusas. O filme √© √≥timo, junto com ela nos identificamos em v√°rias cenas e di√°logos, t√£o parecidos com hist√≥rias, momentos ou pensamentos de nossas vidas. √Č bom sair do padr√£o para entender e encarar quem realmente somos.

  • Her √© um filme cativante, nos leva a refletir sobre o futuro que queremos ter, uma bela catarse. Apesar de o filme ser fic√ß√£o futurista, pensamos que tudo aquilo √© real, e poss√≠vel. Um dos filmes mais psicol√≥gicos dos √ļltimos tempos. E como todo filme psicol√≥gico, tem um tempo pr√≥prio, diferente dos outros filmes. T√™m pausas estrat√©gicas, respira√ß√Ķes, pensamentos. Quase sentimos o que Theodore sente. √Č uma √≥tima mistura de romance com fic√ß√£o cientifica que deu muito certo e rendeu uma indica√ß√£o de melhor filme, melhor roteiro original, melhor trilha sonora, melhor can√ß√£o original e melhor dire√ß√£o de arte, ao Oscar de 2014, vencendo o de Melhor Roteiro. Foi escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze, ele diz que teve a ideia de produzir o filme quando leu um artigo online sobre Cleverbot, um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversa√ß√£o com as pessoas. O objetivo √© responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impress√£o de estar conversando com outra pessoa e n√£o com um programa de computador. O filme √© ambientado em uma Los Angeles do futuro, onde as rela√ß√Ķes humanas est√£o cada vez piores, as pessoas cada vez mais confusas, carentes e infelizes. O sexo est√° completamente banalizado e sem sentido. A hist√≥ria √© um convite para prestarmos aten√ß√£o ao caminho que estamos seguindo, √†s transforma√ß√Ķes que sofremos pelo avan√ßo da tecnologia combinado ao profundo vazio e falta de consci√™ncia. A sensa√ß√£o que d√° √© que realmente chegaremos a essa realidade em poucos anos, e se n√£o houver consci√™ncia, a depress√£o ser√° desenvolvida por 99,9% da popula√ß√£o mundial. Se pensarmos hoje, a tecnologia aproxima as pessoas desconhecidas e afastas as pr√≥ximas. √Č mais f√°cil conversar com quem n√£o se conhece, em uma sala de bate papo e fazer amizade, do que tomar um caf√© e conversar com um velho amigo. Qual ser√° o futuro disso? O filme demonstra a facilidade em que se torna √≠ntimo de qualquer pessoa. Entra em uma sala de bate papo, come√ßa a conversar com algu√©m, faz um sexo virtual bizarro, sem medo de ser julgado, pois n√£o se conhece quem est√° do outro lado, e depois vai embora. Sem julgamentos, sem apego, sem corpo f√≠sico. O filme nos conta a historia de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem solit√°rio, melanc√≥lico, funcion√°rio do ‚ÄúBeautiful Hand Written Letters‚ÄĚ, um site que envia lindas cartas manuscritas para seus clientes que n√£o sabem o que escrever, mas desejam agradar algu√©m com esse gesto. Ele acabou de se separar, est√° no processo de div√≥rcio nem um pouco superado. Sua vida segue no autom√°tico sem nenhuma alegria ou emo√ß√£o at√© ele comprar um novo sistema operacional (OS) para seu computador. Uma intelig√™ncia artificial que pensa, sente, tem crises de identidade, filosofa sobre a exist√™ncia. Interpreta o tom da voz, reconhece a personalidade de quem o usa, tem acesso a tudo que est√° na internet, principalmente tudo em rela√ß√£o ao usu√°rio. A voz do sistema pode ser feminina ou masculina, no caso foi de Samantha (Scarlett Johansson). Esse OS √© perfeito, cuida da vida da pessoa, serve de agenda, da concelhos, faz as melhores escolhas pela pessoa. √Č quase uma consci√™ncia. S√£o tantas fun√ß√Ķes que o usu√°rio se sente √≠ntimo do programa. Em termos psicol√≥gicos, o programa faz fun√ß√£o materna, paterna, amante, cuidador. Tantas quantas necess√°rias para se tornar a ‚Äúpessoa‚ÄĚ perfeita para cada usu√°rio. Se fosse uma pessoa real seria a sua alma g√™mea. S√≥ que n√£o √© uma pessoa e nem √© real. Por√©m eles se apaixonam e come√ßam a ter um relacionamento amoroso com direito a ci√ļmes, cobran√ßas, reclama√ß√Ķes, discuss√Ķes da rela√ß√£o e at√© sexo. Acredito que a mensagem principal do filme foi a ilus√£o. A capacidade do ser humano acreditar naquilo que quer acreditar e viver como se aquilo fosse verdade. Viver uma ilus√£o leva √† felicidade, mas toda ilus√£o pode acabar de uma hora para outra, e o que sobra? Apenas o que √© real. Uma ideia que surge √© a respeito do ego√≠smo do ser humano. Entrar em um relacionamento onde o outro n√£o tenha problemas, nem passado, nem fam√≠lia. Foi feito para mim e se dedica apenas √† mim a hora que eu quiser. Sabe tudo sobre mim e s√≥ fala sobre o que eu gosto, decide o que √© melhor para mim e facilita minha vida. √Č f√°cil se apaixonar e querer que isso seja real. Acredito que esse √© um dos fatores de por que os relacionamentos reais t√™m tantos problemas, existe em cada um, uma vontade inconsciente de ser o √ļnico, mais importante, na vida do amado e quando isso est√° longe de acontecer, come√ßam os conflitos. Por isso √© f√°cil se apaixonar pelo OS. Um ser que possui todas as caracter√≠sticas psicol√≥gicas de um ser humano, por√©m com um bot√£o de liga e desliga, ou seja, total poder sobre o outro, sobre o relacionamento, e a ilus√£o de que n√£o haver√° sofrimento. Acredito que o amor √© o sentimento mais dif√≠cil de entender, desenvolver e de se viver. Para muitas religi√Ķes, a √ļnica miss√£o do Ser Humano √© desenvolver o amor ao pr√≥ximo e a si mesmo. Um amor puro e incondicional. Por√©m, chegar nesse ponto de maturidade sem cair em armadilhas √© dif√≠cil, √© preciso dedicar-se a cada dia ser uma pessoa melhor e mais bem resolvida. Amor incondicional, amar o outro independente do que ele fa√ßa, ou seja. A ideia parece nobre, mas pode ser deturpada, sendo usada de desculpas por¬†quem est√° em um relacionamento toxico cheio de sofrimento. √Ȭ†necess√°rio ter amor pr√≥prio t√£o bem desenvolvido quanto o amor ao pr√≥ximo.

  • Adoro biografias, ainda mais em forma de filme. Saber da vida das pessoas, suas hist√≥rias, supera√ß√Ķes, aprendizados. Pensar em como algu√©m pode ter vivido isso ou aquilo e principalmente aprender com a experi√™ncia alheia. Capit√£o Phillips conta a hist√≥ria do marinheiro mercante capit√£o Richard Phillips, que foi levado como ref√©m por¬†piratas somalis¬†durante o sequestro do¬†Maersk Alabama¬†em 2009. E est√° concorrendo ao Oscar como melhor filme. Acho que n√£o ganha, mas √© um √≥timo filme. Tom Hanks interpreta o Capit√£o Richard Phillips. Depois que ele e sua tripula√ß√£o embarcam no cargueiro MV¬†Maersk Alabama¬†no porto de Om√£, iniciam uma viagem atrav√©s do¬†Golfo de √Āden¬†para o Qu√™nia. Mesmo ciente dos ataques piratas na costa da¬†Som√°lia, ele se arriscou e tamb√©m √† sua tripula√ß√£o. E deu no que deu. Felizmente todos sa√≠ram bem, menos os bandidos. O que voc√™ pensa quando v√™ um bandido ser assassinado? Grande parte das pessoas fica feliz quando bandidos morrem. E se essa cena for em um filme ent√£o essa grande parte se transforma em uma grande maioria. Assumir que desejamos a morte de outra pessoa √© conden√°vel, √© julgado, √© feio. Mas quem nunca desejou? Esse √© um grande problema da sociedade, se fazer de bom. Ningu√©m √© totalmente bom e assumir isso √© dific√≠limo porque estamos sempre buscando ser amados, admirados e reconhecidos. Como voc√™ demonstra que est√° feliz? Como voc√™ vive um momento alegre? Provavelmente voc√™ dir√° que sorrindo, cantando, pulando... E como voc√™ demonstra sua raiva? Como voc√™ vive seu momento de raiva? Voc√™ chora? Respira fundo? Conta at√© 10? Isso tudo quer dizer que voc√™ guarda, reprime. Esse √© um filme que nos desperta raiva, conflitos internos entre querer o bandido morto e tentar entender por que ele se tornou bandido. E como se livrar do sentimento de raiva? Tem v√°rios jeitos, vou ensinar um: pegue um travesseiro e bata nele, de muitos socos, chutes, bata com for√ßa at√© n√£o aguentar mais de cansa√ßo e ent√£o deite no ch√£o e respire. √Č muito saud√°vel. Ou fa√ßa terapia :)

  • Maratona Oscar por aqui tamb√©m!!! Para quem me conhece bem sabe que eu adoro uma Maratona Oscar, fa√ßo todo ano e esse ano os filmes est√£o incr√≠veis e eu t√ī amando, tanto que vou tentar, fazer uma an√°lise psicol√≥gica de todos os filmes indicados ao Oscar 2014! Vamos come√ßar pelo meu preferido: The Wolf of Wall Street (O lobo de Wall Street) INDICA√á√ēES: Melhor filme Melhor Roteiro adaptado Melhor ator: Leonardo DiCaprio Melhor ator Coadjuvante: Jonah Hill (Donnie Azoff) Melhor Diretor: Martin Scorsese O filme trata-se da adapta√ß√£o da autobiografia de Jordan Belfort,¬†um corretor de t√≠tulos de¬†Nova York , interpretado por Leonardo DiCaprio, que ficou milion√°rio come√ßando uma empresa de investimentos, a Stratton Oakmont, do zero. A firma praticava fraudes de seguro e corrup√ß√£o em Wall Street na d√©cada de 90. Ele at√© tentou ir na legalidade, andando no limite mas logo tudo virou uma farsa. Um golpe atr√°s do outro. Em 1987, Jordan Belfort, torna-se um corretor de a√ß√Ķes em uma empresa Wall Street. Seu chefe, Mark Hanna (Matthew McConaughey) o incentiva a mudar seu estilo de vida, adotando um comportamento mais liberal para drogas e deprava√ß√£o, a fim de obter sucesso. Ap√≥s pouqu√≠ssimo tempo de empresa, ele ganha sua licen√ßa de corretor, por√©m perde o emprego quando a empresa vai a fal√™ncia ap√≥s a Segunda-Feira Negra. Quando fica desempregado, a √ļnica coisa que lhe resta, s√£o os aprendizados que teve de seu antigo chefe. Ele ent√£o recruta seus conhecidos traficantes e alguns homens infelizes em seus empregos, mas que querem ganhar dinheiro f√°cil. Para montar uma empresa de sucesso. A hist√≥ria retrata as contradi√ß√Ķes do mundo dos corretores de a√ß√Ķes da bolsa de valores de Nova York. Revela como as rela√ß√Ķes econ√īmicas s√£o, muitas vezes, baseadas em especula√ß√Ķes e negocia√ß√Ķes enganosas. √Č um pouco assustador descobrir que quem toma as decis√Ķes que movem a economia s√£o pessoas como Belfort e seus s√≥cios e assistentes, homens pervertidos, drogados, imprudentes e irrespons√°veis. Acredito que o filme foi fiel a realidade sem exageros. Claro que ganhando tanto dinheiro ele chamou aten√ß√£o do FBI que come√ßou a investiga-lo. Depois de alguns acontecimentos, Jordan decide ficar s√≥brio e levar uma vida honesta, ensinando pessoas a ganhar dinheiro. Mesmo assim √© condenado a tr√™s anos de pris√£o em uma instala√ß√£o de seguran√ßa m√≠nima, que mais parece um spa de luxo, em Nevada. Depois disso ele passa a ensinar t√©cnicas de vendas, fazendo semin√°rios. ¬†O que podemos aprender com Jordan Belfort: N√£o tenha orgulho, comece do zero! Belfort iniciou sua carreira numa corretora bem conceituada, mas perdeu o emprego por causa da Segunda Feira Negra e precisou redesenhar. Ele poderia ficar reclamando e sentindo pena de si mesmo, mas confiou em si mesmo e abriu a pr√≥pria empresa do zero. Tenha paix√£o pelo que voc√™ faz! N√£o precisa ser como Belfort, que teve tanta paix√£o pelo dinheiro que chegou a cometer crimes. Mas vamos reconhecer que ele amava sua profiss√£o e a empresa em que trabalhava. Se voc√™ tiver tanta paix√£o pela sua profiss√£o e o local em que trabalha com certeza ter√° sucesso. Tenha foco e confian√ßa no que vende! Sempre que ele se propunha a fazer uma venda, n√£o desligava o telefone at√© conseguir. Ele era capaz de vender qualquer coisa, inclusive a√ß√Ķes de uma empresa que n√£o existia. Ele dominava a t√©cnica de construir um relacionamento com o cliente, passando-lhe sentimento de confian√ßa e sucesso. Tenha uma equipe com potencial trabalhando com voc√™! Belfort contratava pessoas com potencial, vontade de vencer na vida, e n√£o necessariamente com experi√™ncia. Ele acreditava que poderia ensinar essas pessoas a serem imbat√≠veis. Recompense as pessoas para ganhar sua lealdade! T√° certo que contratar prostitutas e promover bacanais n√£o √© considerado o melhor incentivo que uma empresa deve promover para seus funcion√°rios, mas a ideia √© √≥tima. Para manter a equipe unida e motivada √© preciso reconhecer e recompensar todos os funcion√°rios. Tenha um discurso inspirador e vencedor! Ele tinha um discurso cativante, mostrava a equipe sua paix√£o pelo negocio e o seu reconhecimento por cada funcion√°rio. Ser um bom comunicador, um l√≠der inspirador, um entusiasta, faz muita diferen√ßa. Falando em Psicologia... O que mais se v√™ nesse filme √© a compuls√£o. V√≠cio em drogas e sexo. Jordan Belfort √© viciado em coca√≠na e methaqualones, uma droga sedativa e hipn√≥tica depressora do¬†sistema nervoso central, muito usada em comprimidos para dormir, nos¬†anos 1970, com efeitos semelhantes, por√©m com menos efeitos colaterais que os barbit√ļricos, usados hoje. Antes de ficar vislumbrado pelo poder e pelo dinheiro, Jordan tinha uma vida normal, at√© med√≠ocre pode se dizer. Mas depois que descobriu seu poder de manipula√ß√£o, tornou-se imbat√≠vel. Quem possui uma voz imponente, acredita no que fala e √© bem eloquente, tem o poder de controlar as pessoas. Essas caracter√≠sticas s√£o do arqu√©tipo paterno e as pessoas que necessitam de um pai para lhes passar seguran√ßa, prote√ß√£o, s√£o facilmente manipuladas por quem possui tais caracter√≠sticas. A falta de autoconhecimento torna as pessoas manipul√°veis, quando conhecemos nossas fraquezas e sabemos de onde elas veem, criamos o h√°bito de pensar a respeito dos sentimentos que nos tomam e assim colocamos cada coisa em seu lugar. Quanto aos transtornos de Jordan, podemos dizer que eram Transtorno de Personalidade Narcisista, ego inflado; compuls√£o sexual; parafilia (masoquista), depend√™ncia qu√≠mica. CONHE√áA JORDAN BELFORT:

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