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Análise psicológica do filme Malévola

O novo filme da Disney que não foi um sucesso de bilheteria, mas um sucesso comercial. Tem como protagonista Angelina Jolie e relata a história de Maléfica, a bruxa malvada e antagonista de “Bela adormecida”.

O interessante do filme é que tenta explicar o porquê da maldade da bruxa, ou fada como ela é descrita. Malévola é inicialmente boa e depois acontecimentos fazem com que ela se torne má. Parece que todo o nosso conceito de mau apresenta uma origem boa. Bom e mau são forças que se anulariam caso uma não existisse, e só conseguimos perceber uma quando percebemos a outra. Todas as pessoas são metade luz e metade sombra, cada um decide qual irá alimentar.

Agora se formos pensar em um mau como força externa existente e manipuladora das pessoas, um conceito cristão de mau. Podemos perceber no filme uma analogia à história de Lúcifer, um anjo caído, sem asas, um ser mau que é inicialmente bom… e por aí vai.

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O filme nos apresenta inicialmente dois reinos distintos em guerra: o reino dos humanos e o reino Moors, onde vivem seres mágicos incluindo a fada Malévola. Podemos ver isso como uma representação do consciente, reino humano, e inconsciente, onde vivem os arquétipos e todos os seres mágicos e míticos.

Maléfica é protetora do reino Moors, que faz fronteira com o reino dos humanos. Stefan, um humano criança, invade o reino Moors para roubar e é repreendido por Maléfica que impede o roubo. Eles acabam se tornando amigos e foi o começo de uma paixão. Stefan sempre se mostrou muito ambicioso e com pouco caráter. Em um dado momento, quando já eram adultos, houve uma tentativa do rei em invadir a terra dos Moors, Maléfica defendeu e ganhou a batalha, deixando o rei humilhado e furioso. Ele então pediu a sua cabeça, e o homem que a matasse se casaria com a princesa e herdaria o trono. Stefan então usou o amor que Maléfica sentia por ele para se aproximar dela, cortou suas asas e as levou para o rei em prova de sua lealdade. Casou-se com a princesa e tornou-se rei.

Até aqui vemos três personagens. No reino humano, consciência há dois homens e nenhuma mulher, fala-se em uma princesa, mas ela serve apenas como base para Stefan alcançar suas ambições. Já no reino Moors, inconsciente há Malévola, podendo representar a anima (lado feminino inconsciente dos homens).

Stefan corta as asas de Maléfica, cortar as asas da anima. Um homem que corta as asas de sua mulher interior. Segundo Jung, anima é uma figura arquetípica que contém todas as experiências da relação do homem com a mulher durante toda a história da humanidade e por meio dela o homem consegue compreender a natureza da mulher. A anima é responsável por fazer a ligação entre o consciente e o inconsciente.  Muitos homens negam a existência do inconsciente e não deixam que seu lado feminino se expresse livremente, perdem a capacidade de sentir emoções e tornam-se extremamente racionais. Foi o que aconteceu com Stefan, ficou tão desequilibrado que se perdeu em sua loucura.

Como a anima não foi aceita e muito menos integrada, ela volta de uma forma primitiva como sombra, vingativa, furiosa.

Um outro ponto de vista… Maléfica estava traída, abandonada, mutilada, com o coração partido e sem poder voar. E esse foi o motivo desencadeador de toda a maldade que havia dentro dela vir à tona. Ela se torna má e o reino Moors se torna escuro e opressivo. Ela então invoca um poder do universo e canaliza toda essa força, tornando-se ainda mais poderosa.

Há um momento em que ela salva um corvo da morte e o torna seu servo e informante. Um ato de bondade com uma finalidade egoísta e má. E então esse corvo passa a contar todas as “fofocas” do castelo e Maléfica dedica sua vida a bisbilhotar e pensar em como prejudicar a vida de Stefan.

Há críticos que condenam o filme, desde sua versão original por ser uma história machista. Uma mulher que teve o coração partido não faz mais nada da vida além de acompanhar de longe a vida do amado e pensar em formas de prejudica-lo. E colocando a história para os dias atuais. Uma mulher é abandonada, traída e rejeitada por um ex namorado fica acompanhando a vida do sujeito pelo facebook e na primeira oportunidade tenta se vingar. Bom, a história não é de todo fantasiosa.

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Maléfica espera a oportunidade e quando descobre que Stefan teve uma filha, vai até a festa de batizado da recém nascida, Aurora. Chegando lá, faz uma entrada teatral e poderosa, típica de mulher rejeitada que quer sair por cima, não podemos condená-la por isso. E lança uma maldição que se iniciará ao décimo sexto aniversário da menina, depois que espetar o dedo no fuso de uma roca de fiar que fará com que ela caia em sono profundo para sempre ou até ser beijada pelo amor verdadeiro, coisa que ela julga impossível de acontecer.

Assim que a maldição é lançada, o rei manda trancar em uma sala (não destruir, trancar) todas as rocas de fiar que existem no reino. Imediatamente envia Aurora para morar no meio da floresta com três fadas, que não podem usar seus poderes, até um dia depois do décimo sexto aniversário dela. E também manda seus homens irem atrás de Malévola para matá-la, porém ela cria um escudo de espinhos impenetrável em volta de seu reino.

Stefan já sem contato com sua anima e seu inconsciente, tenta eliminar completamente o feminino de sua vida. Além de querer matar Malévola, nega completamente sua função paterna, negligenciando Aurora aos cuidados de três fadas incompetentes. Não dá a mínima atenção para sua esposa, que está à beira da morte, e não tem o nome mencionado nenhuma vez. E ao invés de destruir as rocas de fiar ele as tranca em uma sala no castelo, ou seja, não quer realmente salvar sua filha.

Quando um homem rejeita seu feminino é tomado por ele, é invadido por sentimentos primitivos e não sabe administrar suas emoções, torna-se raivoso, nervoso, vingativo…

Maléfica torna-se uma protetora de Aurora, salvando-a da morte algumas vezes. Podemos pensar em uma mãe que mesmo não gostando da filha sente-se na obrigação de cuidar e zelar pelo seu bem.

Quando a menina tem quinze anos elas têm a primeira conversa, tornam-se amigas e passam boa parte do dia juntas em Moors. Maléfica tenta revogar a maldição, mas não consegue. No dia em que Aurora completa 16 anos toda a verdade é revelada a ela, e ela vai atrás de seu pai e a maldição se concretiza.

Maléfica vai atrás do príncipe Phillip e o leva até ela, com a esperança de que ele seja o amor verdadeiro de Aurora, pois eles já haviam se conhecido e se gostado anteriormente. O beijo não surte nenhum feito. Malévola se desculpa com a princesa enquanto jura que não deixará que nenhum mal lhe aconteça, beija-a a testa e esse beijo a faz despertar. A maldição foi quebrada por um beijo materno de amor verdadeiro.

Elas tentam fugir do castelo, mas uma rede de ferro cai sobre Malévola que é ferida ao se encostar em ferro. Ela transforma seu corvo em Dragão, mas só consegue se salvar quando suas asas são libertas por Aurora e integradas a ela novamente.

Podemos ver a representação do animus (parte masculina de uma mulher) de Malévola representado por Diaval, ele é as asas que ela perdeu. Um corvo que se transforma em homem, que se transforma em dragão. O que significa que este animus não está tão primitivo e que ela tem acesso ao seu inconsciente.

Malévola é salva por Aurora, passa a conhecer o amor verdadeiro em forma de maternidade, recupera suas asas e perde a necessidade de fazer maldade e prejudicar Stefan.

Aurora torna-se rainha de Moors e integra os reinos.

O bem vence o mau e todos são felizes para sempre…

 

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