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Análise Psicológica do filme No Limite do Silêncio

Michael é um psiquiatra que fica arrasado quando seu filho adolescente, Kyle (Trevor Blumas), se suicida. Kyle sofria de depressão, seu pai insistia para que ele não tomasse medicação e ao invés disso fizesse terapia com seu colega de classe e amigo. O garoto mantinha relações homossexuais com o seu terapeuta, não fica claro se ele era abusado sexualmente ou se era consentido, porém com muita vergonha. O garoto deixa um bilhete assumindo a vergonha por esse caso. Depois que o pai descobre, vai até esse terapeuta que comete suicídio na sua frente.

Depois desse fato, a família se desestrutura. Michael e Penny (Chelsea Field) se separam e deixam a filha, Shelly (Linda Cardellini) em segundo plano, que se revolta e se distancia dos pais.

Três anos após o ocorrido, Michael aparece ainda abatido, com a barba cheia, não dá mais consultas, apenas palestras e escreve livros. Em uma de suas palestras Barbara Wagner (Teri Polo), uma ex-aluna, lhe pede para examinar o caso de Thomas, um garoto que sofreu uma tragédia familiar. Ele teve sua mãe assassinada pelo pai, que está preso em prisão perpétua. Tommy foi para um orfanato, e agora que está prestes a completar dezoito anos, será liberado. Barbara sente que ele ainda não está pronto para sair e pede que Michael pegue o caso, ele se recusa inicialmente, mas depois passa a se interessar, principalmente depois que percebe uma grande semelhança entre o garoto e seu filho. Depois que Tommy conhece a filha de Michael e descobre coisas sobre o passado da família, ele começa a forçar uma semelhança com o filho de Michael para manipular o terapeuta.

Tommy não lida bem com o toque, principalmente quando há uma intensão sexual, foi assim que assassinou sua primeira vítima. Ele era um garoto aparentemente doce e tranquilo, porém não sabe controlar suas emoções. Envolve-se em brigas e é violento, quebrou a mão de um rapaz que importunava Shelly, e depois apareceu com o carro dele sem explicação. Nessa mesma noite foi até o apartamento de Barbara e a agrediu, repetindo a cena de assassinato de sua mãe.

O filme termina com Tommy, ao sentir-se encurralado e depois de ter que assumir o que realmente aconteceu: Tommy era abusado sexualmente pela sua mãe, e no dia que o pai descobriu, teve um surto de raiva, a agrediu e acabou a matando. Ele tenta cometer suicídio e é salvo por Michael que parece ali elaborar o luto do seu filho e melhora a relação com a filha.

Há uma cena, que se passa na cozinha, em que Michael confronta Tommy para que ele entre em contato com a realidade dos fatos que ele parecia ter recalcado. O terapeuta afirma que a mãe de Tommy foi infiel e por isso foi morta pelo seu pai. Tommy não aceita isso e fica muito agressivo. Ao ver o comportamento descontrolado de Tommy, Michael o contém e o chama de Kyle, o nome de seu filho, cometendo assim um ato falho que demonstra o processo de contratransferência um tanto confuso.

“Transferências são reedições, reduções das reações e fantasias que, durante o avanço da análise, costumam despertar-se e tornar-se conscientes, mas com a característica de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do médico. Dito de outra maneira: toda uma série de experiências psíquicas prévias é revivida, não como algo do passado, mas como um vínculo atual com a pessoa do médico. Algumas são simples reimpressões, reedições inalteradas. Outras se fazem com mais arte: passam por uma moderação do seu conteúdo, uma sublimação. São, por tanto, edições revistas, e não mais reimpressões”.

(FREUD, 1969. v. 7, p. 109)

“A contratransferência surge no médico como resultado da influência que exerce o paciente sobre os seus sentimentos inconscientes”. (FREUD, 1969, p.125)

Vemos dois sonhos no filme, um de Michael e outro de Tommy. Os sonhos são geralmente vistos como desejos recalcados no inconsciente. Michael sonha que seu filho ainda está vivo, o que demonstra uma grande vontade de vê-lo novamente.

Tommy sonha que, ao quase ser beijado por Shelly, a empurra na linha do trem e ela é atropelada. Isso pode demonstrar que ele ainda não está preparado para receber o carinho dela. Talvez seja isso que ele gostaria de ter feito à mãe quando ela abusava dele, demonstrar insatisfação e até revolta.

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